SP ABRIRÁ ESPAÇO A ESPORTES RADICAIS

Fernando de Mello Franco acredita que levar mais gente para o centro vai melhorar a região. E para manter a população lá, aposta em esporte e lazer

Entrevista com

ADRIANA FERRAZ, TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

23 Março 2013 | 02h06

O centro de São Paulo pode ganhar um parque de esportes radicais, com rampas de skate e parede de rapel. O incentivo a atividades físicas e lazer no entorno de Sé e República é uma das apostas do arquiteto Fernando de Mello Franco, secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, para viabilizar a revitalização da região central.

A localização da praça ainda está sendo estudada. O equipamento deve se assemelhar ao Parque da Juventude, em São Bernardo do Campo, no ABC, que tem espaço para skate, patins e escalada. Franco lembrou que há uma demanda por equipamentos deste tipo, citando o caso dos skatistas que passaram a praticar o esporte na Praça Roosevelt.

Em entrevista à TV Estadão, ontem, Franco afirmou que a região central vai ser revitalizada à medida que receber mais moradores, e de diferentes classes socais. O secretário descartou, de vez, o aproveitamento de dois projetos elaborados durante a gestão Gilberto Kassab (PSD): a Nova Luz e os túneis do Parque Dom Pedro II.

"O primeiro ponto (para a revitalização do centro) é o repovoamento", disse. Para alcançar o objetivo, Franco acredita na parceria com os governos do Estado e federal no programa Casa Paulista, que prevê a construção de 20 mil moradias para famílias que ganham até cinco salários mínimos. Por outro lado, mesmo sem incentivo do poder público, a região registrou crescimento populacional na última década, segundo o Censo 2010.

Diferenças. "O centro está renascendo. (O poder público) Tem que ordenar esse povoamento, garantir a permanência da população e a vinda de mais pessoas que, sem a ajuda do Estado, dificilmente acessariam essa região." O secretário é contra a utilização de grandes equipamentos culturais como indutores da renovação no centro. Na última década, Pinacoteca, Sala São Paulo e Museu da Língua Portuguesa, todas próximas ao perímetro da Nova Luz, foram inaugurados com a promessa de provocar melhorias no entorno.

"As âncoras culturais como alavancas de transformação deram certo em outros lugares, mas em São Paulo se mostraram ineficientes", opinou o arquiteto. Além da criação das moradias, Franco aposta no aproveitamento do comércio especializado para levar melhorarias à região, que tem as lojas de eletrônicos na Rua Santa Ifigênia e as de motos na Rua General Osório.

Com relação ao Parque Dom Pedro, Franco disse que seria difícil levantar os R$ 1,5 bilhão necessário para todas as obras. "A gente não precisa de nenhum novo projeto. A gente precisa entender quais são os mecanismos reais de produção da cidade. E a gente está muito mais preocupado em identificar essas forças do que fazer novos desenhos."

Tietê. Além de levar mais gente para o centro, a Prefeitura pretende reorganizar as ofertas de trabalho e moradia da cidade por meio do Arco do Futuro. Cerca de 40 escritórios de arquitetura, movimentos sociais e empreiteiras se inscreveram para participar do projeto. Ao longo de abril, os interessados se reunirão com os técnicos da secretaria para conhecer a área do projeto, uma mancha de 60 milhões de metros quadrados ao longo das margens do Rio Tietê. A Prefeitura escolherá as melhores propostas até o fim do ano.

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