SP-15, ou pode chamar de Marginal do Tietê

Apelidos de muitos lugares em São Paulo, como a Radial Leste e o Minhocão, ficaram mais conhecidos do que os nomes oficiais

Marici Capitelli, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2010 | 00h00

O encontro será no câmpus Armando de Salles Oliveira. Para chegar lá, pegue as Avenidas Engenheiro Billings e Magalhães de Castro. Mas se preferir, a reunião pode ser no Museu Paulista. Traduzindo para uma linguagem que todos conhecem: o encontro será na cidade universitária. Para chegar lá, pegue a Marginal do Pinheiros. Mas se preferir, a reunião pode ser no Museu do Ipiranga. Na cidade, os apelidos de locais conhecidos têm mais força que os nomes oficiais.

Os apelidos mais incorporados ao dia a dia são aqueles que remetem às características físicas ou geográficas do local. Nesses casos, os nomes oficiais parecem endereços de outros planetas. A SP-15, ou Rodovia Professor Simão Faiguenboim, por exemplo, é um dos oito nomes da Marginal do Tietê. "Quando digo para pegar a Avenida Presidente Castelo Branco, as pessoas nem esperam eu terminar e repetem que querem ir para a Marginal do Tietê", diz o churrasqueiro Ivanildo Barbosa da Silva, de 38 anos, que trabalha e mora perto do trecho em que a via tem esse nome.

Maria Vicentina de Paula do Amaral Dick, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e autora da tese "A Dinâmica dos Nomes na Cidade de São Paulo", afirma que alguns se autoexplicam. Caso das Marginais do Tietê e do Pinheiros, à beira dos rios de mesmo nome. "É uma marca muito forte, prevalece sobre os nomes", afirma a professora.

Minhocão. Outro exemplo é a Via Elevada Presidente Arthur Costa e Silva, apelidada de Minhocão. "Nesse caso, o que pegou foi a forma da construção", diz Maria Vicentina. Segundo ela, independentemente de se gostar ou não da obra, o nome se incorporou e sobrevive. "É o nosso Minhocão. Nenhuma cidade tem", afirma.

A Ponte Octávio Frias de Oliveira, chamada de ponte estaiada, é outro exemplo. "Só que ela é mais glamourosa que o Minhocão." No caso do câmpus da USP, Maria Vicentina lembra que a referência por cidade universitária é muito mais forte. "Além disso, com o passar dos anos, o homenageado vai se distanciando das pessoas."

Radial Leste. Apesar de ter cinco nomes, ela é conhecida mesmo pelo apelido de Radial Leste. Sueli de Moraes Souza, gerente da loja Alô Bebê da avenida, diz que o nome oficial é tão desconhecido que os funcionários utilizam uma estratégia quando vão dar o endereço para os clientes. "Nós falamos o nome oficial, que é Alcântara Machado, e, na sequência, completamos que é a Radial Leste pois as pessoas teriam dificuldades em chegar."

Ela conta que certa vez os funcionários fizeram um pedido de comida delivery. "Quando falamos o endereço, a atendente disse que o nome do endereço cadastrado era outro. Tivemos que explicar que se tratava da Radial Leste para que o pedido pudesse ser entregue sem erro."

O corretor de imóveis Rodrigo Talarico, de 37 anos, trafega quase todos os dias pela Marginal do Pinheiros. Um dos imóveis no qual está trabalhando para locação e venda faz fundos para a via. "Jamais imaginei que nesse trecho ela tivesse um nome que não fosse o que conhecemos. É mais fácil guardar os apelidos."

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