'Sozinho, o metrô não vai dar conta nunca da demanda', diz especialista

Consultor defende que expansão dos trens venha junto com mais eficiência no sistema de ônibus

23 Março 2014 | 18h14

Arquiteto e consultor especializado em Transportes, Flamínio Fichmann analisa o aumento das falhas no Metrô. Veja o texto dele, na íntegra:  

"Desconfio que o aumento das falhas esteja relacionado ao incremento da demanda no período. Não houve uma oferta maior em termos de expansão, mas em função da integração da bilhetagem entre os diferentes sistemas, a partir de meados da década passada, criou-se uma sobrecarga. Ela faz com que haja maior pressão sobre a frequência dos trens, especialmente nos horários de pico. Um sistema que trabalha no limite de carga o tempo todo é mais suscetível a falhas e ocorrências.

Para que este cenário se reverta ou estabilize, ou aumentam a extensão do metrô ou diminuem a população. Como é muito difícil que a população caia, é preciso fazer o metrô crescer. Porém, o fato de ampliar a rede não garante que haja uma densidade menor de passageiros, proporcionalmente ao que se verifica hoje. Porque há uma ampliação da área geográfica de atendimento, consequentemente, trazendo gente nova para o metrô. Por isso, o sistema metroviário precisa ser socorrido em parte por um eficiente sistema de ônibus, por meio de corredores BRT (sigla em inglês para transporte rápido de ônibus).

Sozinho, o metrô não vai dar conta nunca de toda a demanda, basta pensar na que existe e está reprimida. Enfim, se não tiver uma eficiência maior no sistema de ônibus, não imagino uma diminuição de uma densidade do sistema de metrô.

Nem sempre as pessoas precisam estar no grande sistema estruturante, como corredores de ônibus, metrô e trem. É preciso melhor atendimento da rede complementar de ônibus, com conforto e eficiência.

Além de tudo, é complicado operar o sistema no limite da capacidade. Apesar de o Metrô ser uma das empresas que mais primam pela questão da segurança, as falhas acontecem."

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