Primeiro a largar na corrida para o posto de governador nas eleições de 2014, o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) se define como "mais atirado" do que Fernando Haddad (PT). Em meio a elogios ao sucessor, ele rebate críticas de secretários da atual gestão, solta farpas e cobra que o Estado acelere a implantação do transporte sobre trilhos e entre na inspeção veicular. Confira os principais trechos da entrevista.

Entrevista com

11 Março 2013 | 02h01

Como o senhor analisa o estilo de governar de Haddad em comparação com o seu? O ponto em comum é a determinação. Assim como eu, ele é uma pessoa muito motivada. A forma de governar... cada um tem o seu estilo. Até o presente momento, ele tem ficado um pouco mais recluso. Tem suas razões, começo de governo. Eu sempre fui mais atirado, mais de rua, acompanhando as fiscalizações, as obras, os programas, a limpeza. É cedo para dizer, mas nesses primeiros meses ele tem tido esse estilo.

O prefeito fez críticas indiretas à sua gestão. Disse estar inconformado com a situação dos semáforos... Em nenhum momento ele fez críticas à gestão. Fez uma constatação das coisas da cidade. Encontrou uma cidade em alguns aspectos necessitando de intervenções mais emergenciais, sabendo que antes do nosso governo estava pior ainda. Fizemos diversas intervenções no trânsito, transporte público, recapeamento. Agora, a cidade não está pronta.

Um dos principais projetos de Haddad na área de transporte é o corredor de ônibus na 23 de Maio. O senhor acha boa opção? É difícil uma manifestação antes de conhecer o projeto, não vou ser leviano. Os corredores são importantes, desses que o Haddad vai fazer, 70 kms ele praticamente pode começar as obras porque já foi feito o projeto, mas a solução definitiva é o transporte sobre trilhos. É fundamental que tenhamos a condições de ampliar a velocidade de implantação no transporte sobre trilhos.

A Secretaria de Educação também criticou o senhor, afirmando que foram feitas licitações para escolas para as quais não havia terrenos... Eles cometeram um equívoco. O argumento de quem se manifestou é que as licitações foram feitas em cima de desapropriações que não estavam concluídas, mas estavam em andamento. É normal. A própria Marta, no governo do PT, se pegar o histórico da construção dos CEUs, todas ou quase todas as obras foram desenvolvidas em terrenos que estavam em fase de desapropriação. A legislação permite. Muito possivelmente alguém que não estava preocupado com as crianças é que fez essa declaração. Se quiserem aguardar a finalização da desapropriação para fazer as obras, vão reduzir o ritmo de entrega. E grande parte das obras estava em fase final, e a informação que nos chegou é que elas ficaram paradas.

As obras nas escolas? Nas escolas. Se alguém quer nos cobrar, e acho que não tem esse direito, a cidade deve cobrar da Secretaria de Educação o que foi feito em janeiro e fevereiro.

O senhor foi cobrado pelo mato alto... Sempre fui cumprimentado pela zeladoria. Um secretário (o de Subprefeituras, Chico Macena) dizer em março que o mato está alto por causa da gestão anterior, tendo ele já quatro meses, dois de transição e dois de administração, é cômico.

Como o senhor vê as declarações do prefeito Haddad de que, se pudesse, romperia o contrato com a Controlar? Ele não tem divergência com relação à inspeção veicular. Ele tinha um compromisso com a cidade de devolver os recursos para o proprietário. Sou contra, mas ele deixou claro na campanha que faria isso. Você não tem carro e está pagando pela inspeção. Ele avisou a cidade que faria e está tirando R$ 150 milhões do tesouro.

Além da inspeção veicular, um dos seus principais projetos era o Nova Luz. O prefeito não vai utilizar o mesmo modelo que o senhor queria. Ele afirmou que o projeto é inviável economicamente. O que o senhor pensa disso? Continuo achando um projeto importante. Teria um custo para a Prefeitura de cerca de R$ 300 milhões. Um projeto discutido, que atende os interesses da cidade, não o de poucos.

Após a tragédia de Santa Maria, surgiu a notícia de que há várias casas noturnas sem alvará. A Prefeitura adotou uma postura de diálogo, não fechando a maioria delas. Como o senhor vê essa flexibilização? Acho que não podem ficar abertas. A lei precisa ser cumprida, são pessoas que estão em risco. Nós fechamos o Center Norte. Aliás, nós fechamos todos os shoppings. O diálogo é importante, mas até para que as ações sejam exemplares, tenho certeza que ele (Haddad) vai cumprir com seu papel.

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