Sorocaba e mais três cidades suspendem rodízio de água

Sorocaba e mais três cidades suspendem rodízio de água

Serviço Autônomo de Água e Esgoto, de Sorocaba, diz que nível da Represa dos Ferraz, que secou na forte estiagem, voltou ao normal

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2014 | 19h09

SOROCABA - Cerca de 80 mil moradores da zona leste de Sorocaba, no interior de São Paulo, que há cinco meses vinham recebendo água apenas 12 horas por dia, voltaram nesta quinta-feira, 3, a ter abastecimento em tempo integral. O racionamento foi suspenso depois que o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) constatou que o nível da Represa dos Ferraz, que abastece a região, se normalizou. A represa chegou a secar em razão da forte estiagem. No mês de novembro, o índice de chuva na cidade ultrapassou a média de 138 milímetros. Salto, Olímpia e Santa Fé do Sul também suspenderam.

De acordo com o diretor da autarquia Adhemar Spinelli Junior, outros fatores, como obras realizadas no sistema, economia de água por parte da população e a previsão de mais chuvas, foram levados em conta para suspender o rodízio. A represa atende cerca de 60 bairros e a maior parte do distrito industrial. As chuvas ajudaram a recompor também as represas de Ipaneminha e Itupararanga, que abastecem o restante da cidade. Em julho, moradores chegaram a fazer uma romaria para pedir chuva.

Salto, cidade da região, também já suspendeu o racionamento, assim como Olímpia, na região de Barretos, onde os moradores estavam sem água à noite. O corte de 12 horas no abastecimento também acabou em Santa Fé do Sul, região de São José do Rio Preto.

Em Pereiras, região de Botucatu, a água voltou a correr no Ribeirão das Conchas, que abastece a cidade, mas o abastecimento não está totalmente normalizado. A cidade recorre a poços artesianos de água não potável para atender os moradores.

Pouca água. Em Itu, região de Sorocaba, choveu 305,5 milímetros em novembro, mas o racionamento iniciado em fevereiro continua. De acordo com a concessionária Águas de Itu, as chuvas foram irregulares e os reservatórios que abastecem o sistema de tratamento operam com 70% de sua capacidade. O abastecimento é feito dia sim, dia não, com o reforço de caminhões-pipa. 

Em Vinhedo, região de Campinas, além de manter o racionamento, a prefeitura instalou redutores de vazão em torneiras das escolas municipais para economizar água. Na mesma região, Tambaú, Santa Cruz das Palmeiras, Elias Fausto, Monte Mor, Mombuca, Americana, Rio das Pedras, São Pedro e Saltinho continuam com restrições no abastecimento.

Em Atibaia, para não racionar água, a prefeitura criou um sistema de caça-vazamentos. Uma equipe percorre a cidade durante a noite usando geofones para "ouvir" o barulho de possíveis vazamentos de água no subsolo. Durante o dia, outra equipe vai ao local para sanar o problema. 

No município de Itararé, sudoeste paulista, as chuvas não foram suficientes para recompor o Ribeirão Três Barras, que abastece a maior parte da cidade. A prefeitura acaba de aprovar uma lei prevendo multa de R$ 222 para quem for pego lavando calçada ou carro na rua entre as 9 e 22 horas. 

Apesar das chuvas, rios e represas também não receberam água suficiente para voltar ao nível normal. O Rio Piracicaba estava nesta quarta-feira, 3, com vazão de 12,31 metros cúbicos por segundo em Piracicaba e o Rio Atibaia, que abastece Campinas, tinha vazão de 4,25 m3/s próximo do local de captação. Nesta época, esperava-se o dobro da vazão nesses locais. 

O nível da Represa de Jurumirim, que banha dez municípios da região de Avaré, no sudoeste, registrou o segundo menor nível da história nesta quarta-feira, 3, quando atingiu 14,77% - em julho de 2000, com o uso de um grande volume de água para gerar energia, o nível havia caído para 14,45%.

Mais conteúdo sobre:
Crise da Água Sorocaba

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.