Lili Guedes
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Com 400 toneladas de lixo na rua, Sorocaba decreta emergência

Sacos de lixo ocupam calçadas e, em alguns pontos, ações de vandalismo ou cães em busca de alimento arrebentaram os sacos; lixo se espalhou e já há mau cheiro

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2016 | 16h11

SOROCABA – Uma greve de coletores iniciada na noite desta sexta-feira, 1, deixou cerca de 400 toneladas de lixo acumuladas nas ruas de Sorocaba, interior de São Paulo, na tarde deste domingo, 3. O risco de aumentar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus, levou o prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) a decretar situação de emergência neste sábado, 2. Cerca de 80 presos que cumprem pena no regime semiaberto foram convocados para realizar parcialmente a coleta.

A greve foi decretada por falta de acordo salarial entre o sindicato que representa os coletores e a empresa CSA Consórcio Sorocaba Ambiental, contratada para o serviço. De acordo com o secretário de Governo e Segurança Comunitária, João Leandro da Costa Filho, mesmo tendo mobilizado 18 caminhões, o serviço emergencial conseguiu apenas evitar um acúmulo maior de lixo. Como os caminhões não são apropriados, a coleta é feita de modo manual. A cidade produz 500 toneladas de material por dia e a ação havia resultado, até a noite de sábado, na coleta de 103 toneladas.

O secretário fez um apelo à população para que não coloque o lixo na calçadas ou nos contêineres de coleta pelo menos até esta segunda-feira, 4. O objetivo seria não favorecer a proliferação do Aedes aegypti. A cidade teve 142 casos confirmados e uma morte suspeita por dengue este ano. Foram 12 casos confirmados e 14 suspeitos de chikungunya. E outros 6 confirmados e 24 suspeitos de zika vírus.

Em quase todas as regiões da cidade, o material se acumula nas calçadas. Onde há contêiner, o recipiente não deu conta do volume e transbordou. Os sacos de lixo ocupam calçadas, parte de ruas e pistas de ciclismo. Em alguns pontos, ações de vandalismo ou cães em busca de alimento arrebentaram os sacos. O lixo se espalhou e já há mau cheiro.

No total, 425 funcionários, entre motoristas e coletores, aderiram à greve por aumento de 12,35% nos salários e de 37% no vale-refeição. A empresa ofereceu 11,08% de reajuste salarial, sem alterar o vale-refeição. Segundo a CSA, um reajuste maior afetaria o equilíbrio do contrato com a prefeitura.

O sindicato informou que, até sábado, mantinha 30% dos servidores e da frota trabalhando para cumprir a lei do serviço essencial. No entanto, esse pessoal e os caminhões de coleta foram recolhidos depois que a prefeitura passou a fazer a coleta emergencial. A prefeitura deve recorrer à Justiça nesta segunda-feira para que o serviço seja retomado integralmente.

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