‘Somos pinos redondos em quadrados’

Com panos e máscaras de gás no rosto, eles têm estética punk como modelo. Em São Paulo, existem cerca de 100 integrantes

O Estado de S.Paulo

15 Junho 2013 | 02h01

Panos no rosto, máscaras de gás, roupas pretas e estética punk. O visual dos Black Blocks é importante para a estratégia antissistema que eles praticam nas passeatas. Conforme escrevem na página do grupo do Facebook, "as roupas e máscaras negras são usadas para dificultar ou mesmo impedir a identificação pelas autoridades. Também têm a finalidade de parecer uma única massa imensa, promovendo solidariedade entre seus participantes e criando uma clara presença revolucionária".

A página do grupo é ainda ilustrada pela foto de dois jovens destruindo as vidraças da Estação Trianon-Masp do Metrô. Os Black Blocks ainda citam o escritor americano Jack Kerouac para explicar a ideologia do grupo. "Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que veem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, Glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os veem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo são as que o mudam."

Treinamento. Na cidade, os novos integrantes dos Black Blocks recebem cursos preparatórios para participar dos protestos. Eles aprendem de legislações penais a técnicas de primeiros socorros e doutrinação política anarquista. "Estamos crescendo depois das manifestações na capital", diz.

Após os primeiros quatro protestos contra o aumento da passagem e do endurecimento da polícia, que enquadrou alguns manifestantes por formação de quadrilha, os membros do Black Block decidiram se recolher. "Reagimos de acordo com as ações tomadas pelo sistema." A popularidade dos anarquistas, porém, nunca esteve tão alta. A página do grupo passou a ser curtida por mais de 12 mil pessoas.

Internacionalmente, ainda existem os chamados pink blocks e white blocks. Os primeiros são considerados os protestos festivos - como Marcha da Maconha e Parada Gay no Brasil. Os segundos são os pacifistas, movimentos inspirados em Martin Luther King e Mahatma Gandhi. Ainda pouco vistos em protestos no Brasil. / B.P.M.

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