Som deve melhorar no Sunset

Organização mudou equipe e contratou mais técnicos para corrigir as falhas de equalização dos primeiros dias

LUCAS NOBILE , ENVIADO ESPECIAL / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2011 | 03h03

O primeiro passo para a evolução é admitir os erros e tentar evitá-los. Essa tem sido a postura dos organizadores do Rock in Rio sobre os problemas de som e de segurança apresentados no primeiro fim de semana do festival. No Palco Sunset, nos três primeiros dias do evento, os artistas que passaram pelo stage menor - pelo menos em estrutura - sofreram com a equalização sonora, o que levou o espaço a ganhar do público o apelido de "palco da passagem de som".

Entre as medidas tomadas para resolver as imperfeições, a principal é a mudança de toda a equipe responsável pela parte técnica de som do Palco Sunset. "Além de mudar, estamos contratando mais técnicos e observadores (que darão uma resposta da plateia), já que não tenho como ouvir todos os shows lá do meio do público", diz Zé Ricardo, que centraliza a coordenação do palco e responde pela curadoria artística do Sunset.

Outro ponto importante repensado pelos organizadores para o segundo fim de semana do festival é a passagem de som. O sound check, como é chamado pelos técnicos, vinha sendo realizado no mesmo dia dos shows, às 7h, e agora será antecipado para as 5h. Isso deve resultar em ganho de tempo. Para se ter uma ideia, o show que abriu o festival, na sexta-feira, com Orkestra Rumpilezz, Móveis Coloniais de Acaju e Mariana Aydar, estava previsto para 14h40, mas teve início apenas às 15h. Nesses 20 minutos, diante do público, os músicos ficaram passando o som. Pode parecer pouco tempo, mas são minutos preciosos que causam um efeito cascata, levando a um atraso de horas nas últimas atrações do festival.

Além desse primeiro show, os problemas mais graves de som ocorreram durante as apresentações do Angra com a finlandesa Tarja Turunen (ex-Nightwish) e do Sepultura com os franceses do Tambours Du Bronx. A fim de minimizar os atrasos, os organizadores também contrataram mais 18 carregadores para acelerar a montagem e a desmontagem do palco entre uma apresentação e outra, embora a tarefa tenha sido relativamente eficiente.

"Identificamos problemas diferentes, mas demoramos para azeitar tudo. Quinze minutos para troca de palco são massacrantes. Em termos de som, foi difícil acertar as coisas porque não são shows habituais. É tudo diferente do habitual pela mistura, que é a graça, a proposta do Sunset: tirar os artistas da zona de conforto", comenta Zé Ricardo.

Curadoria e surpresas. Se o Sunset teve problemas técnicos de som durante o primeiro fim de semana do festival, o mesmo não pode se dizer da curadoria e da escalação dos artistas. Deslizes mesmo, apenas nas escolhas de Ed Motta (em um show de covers de rock) e de Bebel Gilberto que, desafinada e perdida no palco, teve o show salvo pelo carisma de Sandra de Sá. Mike Patton com a Orquestra Sinfônica de Heliópolis deixou a desejar. Abusou dos clichês em canções com arranjos equivocados.

Para Zé Ricardo, as maiores surpresas foram os shows de Tulipa Ruiz com a Nação Zumbi e o do Sepultura com o Tambours Du Bronx. "E me impressionou o lance da Tulipa ficar o tempo inteiro no palco com eles e não ser apenas uma participação. Sobre o Sepultura, apesar de eu já saber que seria maravilhoso, foi demais ver que os caras estudaram o set list e não erraram nenhuma das convenções. O que me surpreendeu também foi o show do Milton Nascimento com a Esperanza Spalding, com tanta aceitação do público, sendo que muita gente estava lá naquele dia para ver o Red Hot."

Para este fim de semana, o Sunset terá novamente quatro shows por dia, com exceção de sábado, que terá cinco, por causa da apresentação do vencedor do Prêmio Musique, organizado pelo Caderno2+Música. Todos os concertos terão novamente a mistura de artistas com linguagens semelhantes ou completamente diferentes. Dos nomes internacionais, destaque para Joss Stone, a única a se apresentar sozinha naquele palco.

"A gente veio trabalhando com os artistas, estabelecendo contato há seis meses. Muita gente questionou o fato de o Sepultura tocar no Sunset, dizendo que eles deveriam estar no Palco Mundo. Eles reuniram o maior público do festival no Sunset, com 65 mil pessoas. Nós esperávamos 30 mil. É saudável, os dois palcos se completam, não existe uma competição entre eles. O Sunset não deve ser chamado de Palco 2", afirma Zé Ricardo.

Segurança e perdidos. A organização do Rock in Rio anunciou ainda que, para a segunda metade do festival, a segurança será aumentada em 30%, para que casos de furto sejam coibidos. Nos três primeiros dias, foram registradas 573 ocorrências. Além disso, cerca de 600 itens (carteiras, cartões e celulares) estarão a partir de amanhã no setor de Achados e Perdidos dos Correios, na Avenida Presidente Vargas, 3.077, na Cidade Nova, no Rio. /COLABOROU ROBERTA PENNAFORT

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