Solução exige cuidar da erosão, tratar lixo e criar túnel para cheias

A construção de diques nos pontos baixos das Marginais é uma solução de emergência, paliativa, que pode evitar alguns alagamentos. Tem a vantagem de poder ser adotada a curto prazo. Foi também anunciada a retomada da dragagem nos Rios Tietê e Pinheiros - esta sim uma obra capaz de resultar em sensível melhoria no escoamento das cheias. De fato, estima-se que cerca de 5 milhões de m³ de lama, areia e resíduos sejam anualmente carregados para os dois rios. Sem os trabalhos de dragagem, agora anunciados, esse material se acumula no leito do rio e reduz suas dimensões. Consequentemente, fica reduzido o volume de água que pode ser transportado.

Luiz Ferreira Vaz, O Estado de S.Paulo

05 Março 2011 | 00h00

Entretanto, para combater o assoreamento dos nossos cursos d"água - pois, além dos Rios Tietê e Pinheiros, a maioria dos córregos e ribeirões e muitos piscinões estão parcialmente comprometidos -, o Estado deveria também investir na prevenção da erosão. A legislação não coíbe efetivamente a erosão, permitindo que ruas e obras de terraplenagem sejam feitas sem controle. Em outros países, o empreendedor recebe uma licença para construir, na qual se especifica o prazo máximo que uma escavação pode permanecer sem tratamento contra a erosão.

O segundo problema a enfrentar é o lixo, muito mais difícil de resolver. Em algumas favelas brasileiras, uma solução foi "comprar o lixo" - ou seja, criar postos de troca que forneciam vale-transporte ou outras facilidades, conforme o volume do lixo depositado.

A solução definitiva para as enchentes paulistanas, porém, depende da superação de uma camada de rocha muito dura, que impediu o aprofundamento do leito do Rio Tietê acima de Barueri. As enchentes em São Paulo são obras da natureza e, por esse motivo, muito anteriores à ocupação humana, que apenas agravou o problema. Para superar essa camada, é necessária a construção de um túnel para conduzir parte da enchente. Soluções similares foram adotadas em Cidade do México, Chicago, Tóquio e outras.

GEÓLOGO E PROFESSOR VISITANTE DA UNICAMP

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