Marcos Arcoverde/AE
Marcos Arcoverde/AE

Software ajuda a identificar desaparecidos

Programa é utilizado pela primeira vez em uma grande catástrofe; 229 pessoas ainda não foram encontradas na região serrana

Pedro Dantas, Flávia Tavares, Marcelo Auler e Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2011 | 00h00

Na porta do Instituto Médico-Legal de Nova Friburgo, na região serrana do Rio, Marisol passa os olhos, mais uma vez, pela lista de mortos. Há uma semana, ela procura notícias do marido, o gesseiro Melquizedete de Oliveira, de 49 anos. Ele estava no bairro Duas Pedras e sua casa foi uma das atingidas na madrugada da última quarta-feira. Vizinhos contaram que o viram vivo. Marisol já buscou em hospitais e em abrigos, e nada. "O filho de 11 anos está desesperado."

O drama dela é comum entre os familiares dos 229 desaparecidos em toda a região, que contabilizava, até as 19h30 de ontem, 741 mortos, mais de 6 mil desabrigados e 7.780 desalojados. O dado dos desaparecidos é do Ministério Público do Rio, que usa o Programa de Identificação de Vítima (PIV) para ajudar os familiares a localizar os parentes vivos ou mortos - pela primeira vez, é usado em uma catástrofe.

"Os números de desaparecidos fornecidos pelas prefeituras são maiores, pois eles registram muitos desaparecimentos duas vezes. Aqui temos a possibilidade de cruzar dados, eliminar os excessos e ter uma lista mais qualificada", disse o promotor Pedro Borges, de 38 anos. Os promotores estão conectados em tempo real com os sistemas dos hospitais públicos, do IML e da Polícia Civil. Na lista, detalhes que podem ajudar na identificação, como tatuagens e cicatrizes, estão ao lado dos nomes.

Os promotores tentam desvendar desaparecimentos de famílias inteiras, como a de Geise Queiroz Louvise, que sumiu na enxurrada com o marido, o filho e a nora, além da filha e o genro.

Incerteza. Uma semana depois de ter sido levado por três quilômetros pelas águas das chuvas que demoliram sua casa, em Teresópolis, o operário Wendel da Silva Cunha, de 32 anos, sofre com a falta de notícias de suas duas filhas - Kaylane, de 6 anos, e Rebeca, de 4 - e da mulher, Emiliane Almeida da Silva, de 21. A filha caçula, Yasmin, de apenas 2 anos, morreu soterrada. Hoje ele pretende ir à capital fluminense procurar a mulher em hospitais.

Ontem, três corpos foram retirados dos escombros de um prédio na Rua Cristina Ziedi, no centro de Nova Friburgo - 31 corpos já foram removidos no local e não havia um levantamento de quantos ainda podem estar na área.

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