'Socorro' com água do Guarapiranga será dobrado

Alckmin ainda anunciou ontem o início dos projetos para construção de mais dois reservatórios na Bacia dos Rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari

RAFAEL ITALIANI , FABIO LEITE , O Estado de S.Paulo

03 Maio 2014 | 02h06

No mesmo dia em que o Sistema Cantareira registrou mais uma baixa histórica, com 10,4% da capacidade, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou que vai dobrar, a partir de outubro, a quantidade de água revertida da Represa do Guarapiranga para bairros da capital que ainda são abastecidos pelo manancial que atravessa sua pior crise de escassez.

Segundo Alckmin, serão remanejados mais mil litros por segundo do reservatório da zona sul paulistana para distritos mais centrais da cidade. Em fevereiro de 2015, a reversão deve aumentar em mais 1,5 mil litros. Hoje, o Guarapiranga já socorre com 1,1 mil litros os bairros Jabaquara, Vila Olímpia, Brooklin e Pinheiros, que recebiam água do Cantareira. Outros 2,1 mil litros já são revertidos do Sistema Alto Tietê para Penha, Ermelino Matarazzo, Cangaíba, Vila Formosa e Carrão, zona leste.

Ao todo, cerca de 2 milhões de moradores da capital atendidos pelo Cantareira passaram a receber água do Guarapiranga e do Alto Tietê. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) são essas operações de reversão de água na tubulação que provocam "cortes pontuais" de abastecimento. Ontem, esses dois sistemas estavam com 77,3% e 35,6% da capacidade, respectivamente.

Há uma semana, Alckmin já havia anunciado a reversão de 500 litros por segundo do Sistema Rio Grande, que ocupa um braço da Represa Billings, na região do ABC paulista, a partir de setembro. O volume é suficiente para abastecer cerca de 150 mil pessoas. Segundo a Sabesp, o remanejamento de água, aliado à redução do consumo, tem evitado a adoção de racionamento de água generalizado na Grande São Paulo.

Barragens. Em Campinas, Alckmin assinou ontem as autorizações para o projeto executivo e o licenciamento ambiental das barragens Duas Pontes e Pedreira, na Bacia dos Rios Piracicaba, Jundiaí e Capivari (PCJ). O contrato com o Consórcio Hidrostudio Themas é de R$ 14,8 milhões e as obras só devem ser concluídas em 2018.

Segundo o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, as barragens vão diminuir a dependência do Sistema Cantareira pela região de Campinas, que recebe 3 mil litros por segundo do manancial. Juntos, os reservatórios poderão armazenar cerca de 67,4 bilhões de litros. "Se os reservatórios estivessem prontos hoje, haveria mais 6 mil litros por segundo disponíveis", disse Arce. O projeto executivo e o licenciamento ambiental devem ser finalizados em 18 meses.

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