COR Viaoeste/ Divulgação
COR Viaoeste/ Divulgação

Socorristas usam ‘robô grávida’ para treinar parto de emergência

Funcionários de duas concessionárias de rodovias paulistas simularam procedimento de risco com tecnologia que simula nascimento de bebê

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 22h57

SOROCABA – Socorristas de duas concessionárias de rodovias paulistas utilizaram pela primeira vez um robô que simula uma mulher grávida em um treinamento de emergência nesta segunda-feira, 18, em São Paulo. O procedimento simulou um  parto de risco, em que há dificuldade para a passagem do ombro da criança pela bacia da mãe. Ao fim de alguns minutos, o bebezinho robô nasceu bem.

A simulação foi repetida várias vezes na base da CCR Viaoeste, em Barueri, na Grande São Paulo, e reuniu também socorristas da CCR Rodoanel. Também foi utilizada uma de tecnologia de realidade aumentada produzida pela Microsoft.

Segundo a Viaoeste, é a primeira vez que se usa essa tecnologia no Brasil. O objetivo do treinamento foi simular uma situação de risco muito rara, mas que pode acontecer. A chance de uma distocia é de 0,6% a 1,4% dos partos com peso fetal de 2,5 kg a 4 kg, podendo aumentar no caso de fetos mais pesados.

“Apesar dessa situação ser rara, o socorrista deve saber uma série de manobras específicas que podem ser executadas de imediato durante o nascimento para garantir a segurança do bebê e da mãe”, disse Marcelo Okamura, coordenador médico das concessionárias, que ministrou o treinamento.

A robô grávida simula um parto completo, além de responder aos estímulos com realismo total. “Ela tem pulsação, pupilas que dilatam, movimentos respiratórios, além de seu corpo apresentar as mesmas reações médicas de um ser humano em cada situação simulada, inclusive sangramentos. Além disso, ela chora, reclama e pede ajuda, o que serve para criar ainda mais imersão”, explicou o médico. Segundo ele, este realismo permite que as técnicas empregadas pelos socorristas sejam avaliadas em tempo real por meio de monitores gráficos com todas as estatísticas do atendimento. 

A robô grávida é integrada com a tecnologia das HoloLens, dispositivos de realidade virtual, que trabalham com hologramas projetados em óculos especiais, permitindo a visualização interna do procedimento médico. O equipamento foi emprestado para as duas concessionárias pela CAE Healthcare, fabricante mundial de simuladores e robôs na área da saúde. Conforme o médico, o treinamento faz parte da preparação dos socorristas para as situações de emergência que acontecem nas rodovias.

No trecho Oeste do Rodoanel, administrado pela CCR, não houve nenhum parto desde o início da concessão. Já no Sistema Castelo-Raposo, administrado pela CCR Viaoeste, aconteceram seis partos ao longo dos últimos 20 anos de concessão. Segundo Okamura, em nenhum deles a manobra prevista para os casos de distocia foi necessária. “No entanto, pode acontecer e muitas vezes não há como esperar a chegada do paciente até o hospital, por isso a utilização correta das técnicas como as que foram treinadas pode salvar vidas”, disse.

Tudo o que sabemos sobre:
robôparto

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.