Socióloga e filho ficam três dias nas mãos de traficantes

Ela foi comprar crack acompanhada da criança de 2 anos e acabou refém; polícia encontrou carro sem rodas e bancos

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2011 | 00h00

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul libertou na tarde de anteontem uma socióloga de 34 anos e o filho dela, de 2, que eram mantidos em cativeiro por uma quadrilha de traficantes do bairro Campo da Tuca, na zona leste de Porto Alegre. O drama começou na segunda-feira, quando a mulher, acompanhada do filho, pegou o carro da família e viajou de Canoas, onde mora, ao reduto dos traficantes, a 20 quilômetros de distância, para comprar crack.

Relatos de policiais que trabalharam no caso indicam que ela fez uma primeira aquisição de pedras, por R$ 200, saiu do local e voltou pouco depois, em busca de mais droga. Durante a segunda negociação, a socióloga e a criança foram retidas pela quadrilha de traficantes.

Campanha. A família notificou o desaparecimento à polícia. Na quinta-feira, um programa da Rádio Farroupilha pediu informações sobre o paradeiro da mãe e do filho. Telefonemas anônimos deram à Polícia Civil pistas sobre a localização do automóvel e dos reféns. Agentes do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) encontraram a mãe e a criança em um casebre, onde prenderam o traficante que vigiava o local. No local, eles também encontraram o carro da socióloga.

Cárcere. Durante o período em que mantiveram a vítima em cativeiro, os traficantes se apoderaram de bens dela, como roupas, dinheiro e joias. Os criminosos também tinham tirado os bancos, as rodas e o rádio do automóvel. No entanto, segundo a Polícia Civil, a quadrilha não chegou a pedir resgate para a família da vítima.

Os agentes do Denarc seguem investigando o caso para tentar identificar e prender os outros sequestradores.

Segundo o delegado Rodrigo Zucco, a mulher estava dopada e vestida com roupas sujas, enquanto a criança dava sinais de estar com fome, frio e cansaço. O policial também ouviu da socióloga que a quadrilha não deixou o menino ficar o tempo todo com ela.

Depois de prestar depoimento, a mulher foi internada pela família em uma clínica de recuperação de dependentes químicos. A criança voltou para casa, onde ficou aos cuidados da avó.

Informações obtidas pelos policiais indicam que a mulher, de classe média alta, já havia feito tratamentos para se livrar do vício e estava em abstinência havia um ano.

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