Sociedade se mobiliza para ajudar as vítimas dos temporais

Solidariedade surpreende funcionários do Hemorio, que tiveram de ampliar horário de atendimento para coletar sangue

Damaris Giuliana, Marília Lopes e Pedro da Rocha, O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2011 | 00h00

Os apelos para ajudar as vítimas das chuvas na região serrana do Rio começaram a surtir efeito ontem. As secretarias estaduais, bombeiros, Polícia Militar, Metrô e diversas ONGs, como Cruz Vermelha e Viva Rio, disponibilizaram pontos de coleta de donativos. Mais de 60 toneladas de mantimentos e 2 mil colchões já foram enviados pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos para as principais cidades atingidas.

A solidariedade surpreendeu até os funcionários do Instituto Estadual de Hematologia do Rio de Janeiro (Hemorio). Cerca de mil doadores compareceram ao local - a média diária é de 300, mas cai para 200 nas férias -, a fila de espera chegou a três horas e a instituição foi obrigada a estender o horário de atendimento. Até as 20 horas, mais de 600 bolsas tinham sido coletadas.

O Hemorio abastece cerce de 180 hospitais no Estado e havia pedido doação especial anteontem. A instituição lembra que só as pessoas entre 18 e 65 anos podem doar sangue. É preciso pesar mais de 50 quilos, estar bem de saúde e levar um documento oficial com foto. São 26 postos de atendimento, que funcionam das 7 às 18 horas. Para saber qual é o mais próximo, basta ligar para 0800-282-0708.

Necessário. Em situações de calamidade, uma das dificuldades para distribuir os donativos é o tamanho das embalagens. Muitas vezes, não há nem voluntários suficientes para triagem nem espaços adequados para a separação sem que a qualidade dos alimentos seja comprometida. Por isso, é melhor doar água mineral em garrafas, por exemplo. Além dos alimentos não-perecíveis, os de pronto consumo - como massas e sopas desidratadas, biscoitos e cereais - facilitam o atendimento aos desabrigados e desalojados.

Leite em pó, cestas básicas, materiais de higiene e limpeza, fraldas descartáveis, absorventes, velas, isqueiros, agasalhos, roupas de cama e banho, cobertores e colchões estão na lista de prioridades. Em Sumidouro, por exemplo, a prefeitura comprou todos os colchões que estavam à venda na cidade, mas não foram suficientes. Já a prefeitura de Teresópolis pede também gelo, termômetros, luvas descartáveis, lanternas e motosserras. A Viva Rio também recebe eletrodomésticos.

Internet. Usuários de redes sociais trocavam telefones ontem para combinar o transporte de mantimentos. Também divulgavam endereços de postos de arrecadação e contas bancárias. Até Petkovic, jogador do Flamengo, divulgou ter aberto uma conta para ajudar (veja abaixo).

As Estações de Metrô Ipanema-General Osório, Siqueira Campos, Botafogo, Carioca, Glória, Largo do Machado, Catete, Central, Saens Peña, Nova América-Del Castilho e Pavuna viraram postos de arrecadação. Assim como as Lojas Americanas e os Shoppings Bangu, Carioca, Duque de Caxias, Passeio, Santa Cruz, Grande Rio, Via Parque, Iguatemi e Leblon, o Ministério Público Estadual, a Defesa Civil e as filiais fluminenses do Sesc, Senac, Sesi e Senai.

QUATRO PERGUNTAS PARA...

Ana Angélica Ferreira Couto, PSICANALISTA

1. Por que as pessoas se mobilizam para ajudar os atingidos por tragédias como a do Rio?

Apesar de as pessoas estarem distantes fisicamente desses grandes desastres, a TV e os jornais as colocam emocionalmente muito próximas dos fatos. Essa emoção faz agir. Forma-se uma corrente que afeta mesmo quem nada sofreu diretamente. São pessoas que hoje também se sentem cada vez mais vulneráveis.

2. Essa emoção com os recentes acontecimentos no Rio aparece no consultório?

Sim. Em todas as sessões que fiz nos últimos dias, o tema das enchentes no Rio veio à tona. As pessoas chegam ao consultório e choram. A cena daquela senhora sendo resgatada no meio da enxurrada, por exemplo, foi muito citada pelos pacientes. É uma mistura de medo, angústia, que provoca a solidariedade.

3. Como o impacto dessas tragédias se reflete no dia a dia?

Desde a tragédia de Angra dos Reis, no ano passado, tive de conversar com crianças que ficaram impressionadas com as cenas. As mães me contam que, quando começa a chover, elas ficam com medo de que a casa onde moram sofra os males ocorridos nesses locais de tragédia. (No dia 1.º de janeiro de 2010, a chuva em Angra fez 52 vítimas)

4. Como a senhora lidou pessoalmente com a tragédia?

Fiquei muito nervosa. O consultório está localizado em Nova Iguaçu e uma paciente havia viajado a Petrópolis para passar férias. Fiquei muito apreensiva, sem notícia dela. Mas consegui contato e soube que está tudo bem. Mas a comoção desse caso é incomparável. O sofrimento parece mais visível e também estou muito emocionada.

SERVIÇO

TERESÓPOLIS. GINÁSIO POLIESPORTIVO PEDRÃO, NA RUA TENENTE LUIZ MEIRELLES, 211, VÁRZEA. DEPÓSITOS PODEM SER FEITOS EM NOME DE "SOS TERESÓPOLIS - DONATIVOS" NO BANCO DO BRASIL, AG: 0741-2, C/C: 110000-9 OU CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, AG: 4146, C/C: 2011-1, CNPJ: 29.138.369/0001-47. NOVA FRIBURGO. A PREFEITURA RECEBE DONATIVOS NA AVENIDA ALBERTO BRAUNE, 225, CENTRO, E NA IGREJA CATEDRAL MATRIZ, PRAÇA GETÚLIO VARGAS, CENTRO. PETRÓPOLIS. DOAÇÕES PODEM SER ENTREGUES NO MUSEU IMPERIAL, IGREJA WESLEYANA, IGREJA SANTA LUZIA E SECRETARIA DE TRABALHO, AÇÃO SOCIAL E CIDADANIA - RUA AURELIANO COUTINHO, 81, CENTRO. SUMIDOURO. PROCURAR A CASA DE CULTURA, RUA 10 DE JUNHO, CENTRO, DAS 8 ÀS 18 HORAS. FUNDO ESTADUAL DA ASSISTÊNCIA SOCIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. DEPÓSITOS NO BRADESCO, AG: 6570-6, C/C: 2011-7 OU ITAÚ, AG: 5673, C/C: 00594-7. CNPJ: 02932524/0001-46. DEJAN PETKOVIC. O JOGADOR DISPONIBILIZA A CONTA POUPANÇA: 1008425-3, NO BRADESCO, AG: 213-5. VIVA RIO. RUA DO RUSSEL, 76, GLÓRIA. TELEFONES (21) 2555-3750 E 2555-3785. A ONG RECEBE DOAÇÕES EM DINHEIRO PELO BANCO DO BRASIL, AG: 1769-8, C/C: 411396-9. CNPJ: 00343941/0001-28 CRUZ VERMELHA. DONATIVOS RECEBIDOS NA RODOVIÁRIA NOVO RIO, PISO DE EMBARQUE INFERIOR, DAS 9H ÀS 17H. PÃO DE AÇÚCAR. LOJAS NO RIO E EM SP.

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