Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

'Sociedade paulista está farta de invasões', diz reitor da USP

Para João Grandino Rodas, a imagem da universidade saiu depreciada após a ocupação de estudantes

Carlos Lordelo, estadão.edu

09 Novembro 2011 | 22h45

SÃO PAULO - O reitor da USP, João Grandino Rodas, esteve ontem no prédio da administração central, na Cidade Universitária. Em entrevista por e-mail, ele diz que a situação do local é "deprimente". Mas Rodas vai esperar a conclusão do trabalho da polícia para formar comissões que indicarão que medidas tomar com o grupo de invasores - há possibilidade de abertura de processos administrativos e disciplinares.

O sr. esteve hoje na reitoria?

Meu gabinete estava fechado e não foi invadido. A situação é deprimente, em virtude da destruição e das pichações. O que mais me chamou a atenção foram coquetéis molotov e reservatórios com gasolina (apresentados pela PM). Isso não é indício da boa intenção dos grupos responsáveis, nem de bom prognóstico para o futuro!

O que o sr. achou do trabalho da polícia?

A PM ingressou desarmada no prédio e, em minutos, retirou os invasores incólumes, tendo toda a operação sido filmada. Meu parecer de leigo é que cumpriu seu múnus (papel).

O que a reitoria vai fazer em relação a quem ocupou o prédio?

Após o recebimento das documentações acerca dos fatos e dos prejuízos causados, que estão sendo finalizados pela perícia técnica, serão formadas comissões para estudar toda a questão e indicar o que fazer para que a lei seja cumprida.

Qual a opinião do sr. sobre a greve dos alunos?

É difícil fazer exercício de futurologia. Não foi a primeira greve nem a última na USP.

Como será feito o detalhamento do convênio com a PM?

Continuará a ser feito sob a égide do Conselho Gestor do Câmpus e com a participação de alunos, funcionários e professores que desejem participar, além de organismos afeitos à área.

De que forma a invasão da reitoria afeta a imagem da USP?

O que chamou a minha atenção é que o grupo invasor violou até mesmo regra dos próprios movimentos estudantis. Inconformado por perder em votação de assembleia, mesmo assim levou a cabo seus intentos! Quanto à imagem da universidade, ela é sempre depreciada por ações desse naipe. É digno de nota a USP estar bem situada nos rankings internacionais, apesar de sofrer ataques como o atual há anos.

O que o sr. acha de críticos que viram falta de pulso na condução da crise?

Quando a reitoria foi invadida, tomei as providências legais devidas, entre as quais figura a tentativa de negociação, dentro dos parâmetros legais possíveis. Não houve fraqueza no episódio. Entretanto, entendo a posição de críticos. Toda a sociedade paulista está farta dessa repetição anual de invasões na USP, que tanto custa em dinheiro público, em desgaste de imagem e em perda irrecuperável de tempo precioso.

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