Sócia critica sumiço de dinheiro no Paulistano e é suspensa

Frequentadores do clube prometem manifestação no sábado contra a medida; R$ 68 mil teriam sidos desviados do caixa

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

24 Março 2011 | 00h00

Depois do sumiço de R$ 68 mil de seu caixa, o Club Athletico Paulistano, uma das agremiações mais tradicionais de São Paulo, agora se vê às voltas com mais uma polêmica entre seus frequentadores. Diversos sócios estão organizando em uma rede social na internet protestos contra a diretoria da instituição, por causa da suspensão de uma sócia que teria criticado publicamente o sumiço do dinheiro. Até uma manifestação já está marcada para o próximo sábado, na praça do Paulistano.

"Um dos pilares do clube é promover solenidades cívicas. Gostaria, então, de consolidar meu amor ao clube em uma manifestação neste sábado, às 12 horas, nos bancos da pracinha", diz o aviso no Facebook. "Esse ato cívico vem, é claro, em resposta à expulsão da sócia Carla W. Vista vermelho e branco para que as leis magnas do Brasil sejam honradas dentro do CAP."

A sócia Carla Zucchi Weissheimer teria sido suspensa do Paulistano por criticar a diretoria no caso do sumiço de R$ 68 mil do caixa do clube - fato relatado pelo Estado há duas semanas e que rendeu até uma representação no Ministério Público Estadual pedindo abertura de investigação. De acordo com o Paulistano, o dinheiro foi furtado por um funcionário e uma auditoria externa foi contratada para esclarecer os fatos.

Ainda segundo o clube, Carla teria sugerido no Facebook que a diretoria havia desviado o valor. "Estou sendo, sim, processada por algo que eu não sabia ter escrito de tão grave aqui e por isso fui chamada à diretoria", escreveu posteriormente a sócia na internet. Foi o suficiente para dezenas de sócios criticarem a postura do Paulistano e organizarem protestos.

"Eu vou me segurar para não dizer o que estou pensando. Ou será que até os meus pensamentos podem me suspender também?", escreveu um sócio no Facebook depois que a polêmica foi instaurada. "Lamentavelmente, a Carla foi nosso bode expiatório", escreveu outro frequentador do Paulistano. "Acham que retirando a laranja podre, as outras laranjas não se contaminarão. Ledo engano, os semelhantes se solidarizam mais ainda nesses momentos."

Em nota oficial, o clube afirma que a suspensão ocorreu porque a sócia ofendeu a honra dos diretores. "O Estatuto do Club Athletico Paulistano prevê, nos artigos 41 e 42, punição para casos de desrespeito aos conselheiros, diretores, associados e empregados do clube, e ainda em casos de manifestações ostensivas, internas ou externas, prejudiciais à reputação do clube", afirma a instituição. "A sócia em questão manifestou-se de forma a ofender a honra dos diretores e, convidada a prestar esclarecimentos por duas vezes, deixou de comparecer em data previamente agenda. Na última delas, seu advogado solicitou e recebeu cópias do processo interno. O clube adotou medida de suspensão preventiva de 15 dias, ou até que ela preste os esclarecimentos solicitados. O Paulistano entende ser este um assunto da esfera interna do Clube."

PARA LEMBRAR

No ano passado, o Club Athletico Paulistano já enfrentou críticas dos sócios por vetar a inclusão do companheiro de um médico como sócio dependente de seu título familiar. O motivo: o estatuto do clube reconhece apenas a união entre homem e mulher. Os associados também fizeram um abaixo-assinado com mais de 150 assinaturas contra uma obra no prédio da sede social da instituição, projetado pelo arquiteto modernista Gregori Warchavchik (1896-1972).

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