'Sobrou somente um vazio lá dentro', diz PM sobre auditório do Memorial

Rescaldo. Segundo o Corpo de Bombeiros, 90% do Auditório Simón Bolívar foi destruído pelo incêndio; plantas originais de Oscar Niemeyer podem ter sido queimadas. Dos 25 bombeiros que ficaram feridos, 4 ainda estavam internados na UTI

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2013 | 02h01

O Corpo de Bombeiros estima que 90% do interior do Auditório Simón Bolívar, no Memorial da América Latina, zona oeste de São Paulo, tenha sido destruído no incêndio anteontem. A corporação só terminou o trabalho de rescaldo no fim da manhã de ontem. "Queimou tudo. Só ficou um vazio lá dentro. As cadeiras, o palco, o revestimento das paredes, não sobrou nada", disse o 1.º tenente Mauro Brancalhão, um dos agentes que entrou no prédio para combater as chamas.

A Fundação Memorial afirma que as chances de a tapeçaria de Tomie Ohtake que enfeitava a lateral do auditório ter escapado são muito pequenas. Mas outras duas obras ficaram preservadas: a escultura Pomba, de Alfredo Ceschiatti, e o painel Agora, de Victor Arruda, segundo informou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) no Twitter.

O incêndio quebrou vidraças, derreteu metais e provocou rachaduras. O balanço dos bombeiros foi de 25 feridos - homens da corporação que trabalhavam no combate às chamas. Destes, cinco permaneciam internados no Hospital das Clínicas ontem - quatro na UTI. A corporação levou 15 horas para extinguir os focos de incêndio.

Há risco de que documentos importantes tenham sido consumidos pelo fogo. Francisco de Assis Gomes, de 67 anos, que se identificou como arquivista do Memorial, afirmou que plantas originais de Oscar Niemeyer, autor do projeto do prédio, estavam em uma sala no interior do auditório. "A parte abaixo do palco, com algumas salas e corredores, foi preservada das chamas", disse o major dos Bombeiros Wagner Lechner.

O trabalho da Polícia Científica para determinar a causa do acidente começou no começo da tarde e deve terminar hoje. Depois que os peritos colherem material para análise, haverá a entrada das equipes da Defesa Civil, que determinarão se o prédio tem condições de segurança. "Pode demorar até segunda-feira para que a gente consiga entrar e avaliar como será feita a reconstrução", disse o presidente da fundação, o cineasta João Batista de Andrade.

A 7.ª edição do Encontro Paulista de Hip Hop, que ocorreria ontem na frente do Auditório, foi transferida para a frente do Centro de Recepção do Memorial - e se transformou em um show de apenas dois artistas.

Restauração. O secretário de Estado da Cultura, Marcelo Mattos Araújo, informou que, independentemente do grau da destruição, o Auditório Simón Bolívar será restaurado. Não havia ainda, entretanto, uma estimativa do prejuízo causado pelo acidente de anteontem. "A tapeçaria da Tomie Ohtake poderá ser refeita com facilidade. Ela tem o projeto original", afirmou Andrade.

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