ALEX SILVA/ESTADAO
ALEX SILVA/ESTADAO

Sobrepeso é principal hipótese para queda de marquise nos Jardins

Especialistas sugerem uso equivocado de cargas de argamassa na estrutura; engenheiro vistoriou prédio em julho

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2019 | 22h04

Sobrepeso na estrutura é a principal hipótese para explicar o desabamento da marquise de um prédio nos Jardins, na zona sul de São Paulo, que matou um jovem de 17 anos e feriu outro rapaz na noite de anteontem. É o que indicam um representante do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado (Crea-SP) e engenheiros civis, consultados pelo Estado. O caso é investigado pela Polícia Civil, a quem cabe apontar a razão oficial da queda.

Sem dar sinais anteriores de risco, a marquise do Edifício Vila América, na Rua Bela Cintra, ruiu às 19h02 sobre Thiago Nery Qualiotto, de 17 anos, e João Tess Portugal, de 18. O mais novo teve a morte constatada pelo médico do Corpo de Bombeiros ainda no local. Já a outra vítima fraturou quatro costelas e o tornozelo. Segundo testemunhas, a queda aconteceu de forma abrupta e não houve chance nem de correr.

Presente na vistoria realizada na manhã de ontem, o gerente regional metropolitano do Crea-SP, Marcelo Bruni, afirmou que o mais provável é que a marquise tenha caído por estar suportando um peso maior do que o projetado para a estrutura. “Sem dúvida, ela não estava trabalhando na condição original do projeto e recebeu cargas de argamassa.”

Especialistas explicam que a queda aconteceu por cisalhamento – quando a laje desaba de uma vez, como se a estrutura de ferro responsável por segurá-la (chamada na engenharia de “armadura”) tivesse sido cortada por uma tesoura. Em tese, uma das hipóteses para que isso aconteça é quando há infiltrações na estrutura e, consequentemente, oxidação do ferro.

De acordo com Bruni, porém, esse não era o caso do Edifício Vila América, que foi construído há cerca de 40 anos. “É um prédio bem mantido, em uma área nobre, não havia infiltração: isso foi perguntado ao porteiro e funcionários”, disse.

Com base em fotos do desabamento, engenheiros e especialistas em recuperação estrutural concordaram com a avaliação. Segundo afirmam, a ferragem exposta seria adequada para uma laje com revestimento entre 2,5 cm e 3 centímetros. Na marquise que despencou, no entanto, a espessura de argamassa aparentava ter cerca de 10 cm.

A principal suspeita é de que tenham sido feitas obras de impermeabilização em que o cimento novo era posto por cima da manta antiga, sem retirá-la, aumentando assim o peso original da marquise. Segundo especialista, 1 m³ de argamassa pesa, no mínimo, 1,8 tonelada.

Investigação.

Segundo boletim de ocorrência, feito no 78.º Distrito Policial (Jardins), um engenheiro teria atestado a regularidade estrutural do edifício em julho. O profissional deve prestar esclarecimento no inquérito. A polícia também aguarda laudo da perícia para saber se irá responsabilizar alguém criminalmente. Para a investigação, ainda não é possível falar em homicídio.

Em nota, a Prefeitura disse não haver registro recente de obras no edifício. Segundo o presidente regional do sindicato das empresas de Engenharia, (Sinaenco), Fernando Mentone, o ideal é que inspeções técnicas aconteçam a cada cinco anos. O Estado tentou entrar em contato com o síndico do prédio e com a advogada responsável por representá-lo, mas não obteve retorno.

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