Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

Sobram ingressos para show de Paul

Mesmo assim, cambistas já rodeiam o Estádio do Morumbi, que também tem desde quinta-feira os primeiros fãs acampados na fila

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2010 | 00h00

A dois dias da primeira apresentação de Paul McCartney em São Paulo, a movimentação na porta do Estádio do Morumbi ontem era tranquila. Nas cercanias do estádio, mesmo ainda sobrando ingressos nas bilheterias, faltava público, mas sobravam cambistas oferecendo entradas para amanhã e segunda-feira.

Com ingressos para diversos setores, muito mais caros do que os valores oficiais, os vendedores ilegais negociavam a pista comum a R$ 500, a cadeira coberta laranja a R$ 700 e a pista prime a R$ 1.200. "A procura ainda está baixa, mas no dia do show vou vender a R$ 1.500. Tenho de lucrar. Eu comprei pela internet e paguei taxas adicionais, preciso ganhar em cima desse valor", disse um cambista, que ofereceu até o número de seu celular para a reportagem do Estado.

Ontem, as vendas estavam fracas para eles, uma vez que na Bilheteria 3 do Morumbi, na Avenida Jules Rimet, ainda havia um "montante razoável" de ingressos, segundo os vendedores dos guichês, sem revelar a quantidade oficial. Os valores para os dois dias são R$ 300 (pista comum), R$ 400 (cadeira coberta laranja) e R$ 700 (pista prime). No local de retirada para pessoas que compraram suas entradas antecipadamente, pela internet, a movimentação ainda era bem pequena ontem.

Na raça. Ainda no início da tarde, apenas cinco estudantes fanáticos pelo ex-beatle acampavam na frente do Portão 18, na entrada da pista prime. Eles haviam montado o pequeno acampamento no local desde a manhã de quinta-feira, suportando um calor de 30°C durante o dia e o frio da madrugada.

"A gente nem sente o tempo passar, a galera não entende o que é ser fã. É ruim o frio de madrugada, mas a gente esquece tudo. Só depois que o Paul passar a gente volta a pensar no resto", afirmou o estudante Juliano Franco, de 19 anos, que gastou R$ 460 para ver os dois shows de McCartney. "Eu acumulei a grana de uma bolsa que ganho na faculdade e o resto minha mãe inteirou."

Outro universitário acampado no local, Edson Rodrigues Júnior, de 18 anos, também abriu o bolso para ver seu ídolo. Já tinha viajado para Porto Alegre para ver o show que fez no Estádio do Beira-Rio, no dia 7 deste mês, e, para as apresentações em São Paulo, gastou o dinheiro que juntava havia três anos para comprar um carro. "Nem fiz as contas para ver quanto gastei. Estou aqui faz mais de 24 horas, passando frio de madrugada, tentando dormir, mas o barulho dos carros é alto. Sem contar que passam ônibus por aqui, o chão treme inteiro, e de madrugada eles ainda testam o som lá dentro do estádio", afirmou Rodrigues Júnior.

Quem também se juntou ao grupo de fanáticos foi Ana Paula Hining. A garota de 18 anos, que estuda História na Universidade Federal de Santa Catarina, virou uma espécie de celebridade entre os fãs, sendo muito procurada pela imprensa, depois de ter tatuado o autógrafo que recebeu de Paul em seu braço no show do Beira-Rio após exibir um cartaz com o pedido para o ex-beatle e ser convidada a subir no palco.

A jovem, que chegou a São Paulo às 7 horas de ontem, pagou R$ 100 pela tatuagem, feita em Florianópolis. "Eu vou ao show na segunda, na pista prime. Desta vez, vou ficar mais sossegada", disse.

A chegada de Paul está prevista para hoje, um dia antes da apresentação. O músico britânico e sua equipe de cem integrantes ficarão hospedados no hotel Hyatt, na zona sul da capital. Nos dois shows de Up and Coming Tour, com cerca de três horas cada um, Paul tocará temas antológicos dos Beatles, como All my Loving, Hey Jude, Help, Something, Sgt. Pepper"s Lonely Hearts Club Band, Helter Skelter e Eleanor Rigby.

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