Sobe para 5 nº de mortos pela chuva na serra do Rio

Região é a mesma em que 905 morreram em 2011; moradores apontam falha em alarme instalado após tragédia e quase mil estão desabrigados

HELOISA STURM, ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

08 Abril 2012 | 03h01

Subiu para cinco o número de mortos em Teresópolis, na região serrana do Rio, por causa do temporal que alagou o centro da cidade e bairros vizinhos, na sexta-feira. Ontem, equipes da Defesa Civil Estadual ainda buscavam vítimas nos 20 pontos onde ocorreram deslizamentos. Quando as sirenes de alerta soaram, anteontem, mais de mil pessoas deixaram suas casas, segundo a prefeitura. Mas moradores de um dos bairros afetados disseram ao Estado que nenhum alerta foi emitido.

Na noite de ontem, 994 pessoas permaneciam desalojadas - elas foram encaminhadas para abrigos improvisados em escolas, igrejas e creches - e 160 casas estavam interditadas. Além dos cinco mortos, 15 pessoas ficaram feridas. O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, sobrevoou a cidade acompanhado do prefeito de Teresópolis, Arlei de Oliveira Rosa. "A ocupação desordenada de encostas é um problema evidente. É um risco para o qual não há soluções de curto prazo", disse.

Na Quinta Lebrão, uma das áreas mais atingidas, as comportas instaladas pelos moradores na entrada das casas não impediram o avanço da água, que alcançou quase um metro e meio de altura. Todos os moradores ouvidos pelo Estado na região afirmaram que as sirenes de emergência não funcionaram durante o temporal. Elas foram instaladas após as chuvas que castigaram o local no ano passado. "A chuva vem tão forte que não dá tempo para salvar nada", disse a diarista Bárbara Pitassi.

Questionado, o comandante Simões afirmou que não havia evidências de que os alarmes não tivessem soado durante a madrugada. "Pode ser que uma sirene tenha sido acionada antes da outra, mas efetivamente elas foram acionadas, tanto que as comunidades se mobilizaram."

O temporal de sexta começou pouco depois das 16h30 e, até as 21h, os medidores da Defesa Civil já indicavam um volume de chuva superior ao que era esperado para todo o mês de abril.

Mesmo onde o Sistema de Alerta de Cheias do Instituto Estadual do Ambiente chegou a ser ouvido, algumas pessoas teimaram em não deixar suas casas.

Foi o caso de Rosângela Moraes de Oliveira, de 42 anos, que morreu soterrada no bairro de Santa Cecília. Seu filho Caíque, de 5, sobreviveu. Os outros quatro mortos identificados no Instituto Médico-Legal (IML) foram Joyce Rosa de Araújo, de 16, na Quinta Lebrão; Jaílson da Cunha, de 26, morto no bairro Pimentel; Keila Pires, de 26; e Maria Helena, de 60, ambas no Bom Retiro. "Estamos interditando várias casas, pois há o perigo real e iminente", disse a arquiteta Rachel Aliverti, da Defesa Civil.

Um ano depois. Até hoje, nenhuma das 6 mil casas prometidas pela presidente Dilma Rousseff para desabrigados da enxurrada de 2011 foi construída. "A região serrana vem de 40 anos de ocupação desordenada e é difícil encontrar um local seguro. Vou lançar uma proposta de compra assistida, para que essas pessoas possam comprar suas casas em outros municípios", disse o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão. Em janeiro do ano passado, a tragédia na região serrana deixou 905 mortos. Apenas em Teresópolis, foram 392.

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