Sobe para 238 número de mortos em Santa Maria

Sobreviventes e parentes das vítimas da tragédia na boate Kiss terão acompanhamento assistencial e de saúde por dois anos

ELDER OGLIARI, PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2013 | 02h02

Morreu ontem a 238.ª vítima do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), ocorrido em 27 de janeiro. Pedro Almeida, de 20 anos, não resistiu à intoxicação pela fumaça e aos ferimentos. Ele estava internado na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, e respirava por aparelhos.

Natural de Santa Maria, Pedro se formou em Informática na Universidade Federal da cidade e trabalhou na Força Aérea Brasileira de agosto de 2011 a julho de 2012. Desde dezembro, trabalhava como vendedor em uma loja. Ele foi à boate com a namorada, Natane da Silva, que continua internada no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre.

Familiares passaram a tarde esperando a liberação do corpo, que seria levado para sepultamento em Santa Maria. Até o início da noite, a família do rapaz permanecia no Instituto Médico Legal aguardando a liberação.

Durante a semana passada, o pai de Pedro, Alexandre, e a mãe, Camila, não quiseram falar sobre o caso do filho. "Não vou falar sobre o caso do Pedro", disse o pai, no dia 30, enquanto aguardava para visitar o filho na sala ao lado da UTI. "Espero que o senhor compreenda", disse.

A luta de Pedro pela recuperação comoveu médicos e enfermeiros que acompanharam o tratamento. "O pai e a mãe estiveram sempre aqui com ele", disse uma fonte que pediu para não ser identificada. Pedro estava internado na mesma unidade na qual estava a paciente Ana Carolina Costa, de 18 anos, que se comunicou com o pai por bilhetes. Ana Carolina só conseguiu falar com a família no dia 30. Ela já recebeu alta do hospital.

Assistência. Também ontem, o secretário da Saúde do Rio Grande do Sul, Ciro Simoni, anunciou que sobreviventes, parentes, voluntários e profissionais que participaram do socorro serão acompanhados por pelo menos dois anos por um serviço de assistência que o Estado está montando. Profissionais de saúde serão orientados a buscar envolvidos no episódio e convidá-los a passar por revisões periódicas, de acordo com cada caso.

"Há pessoas que podem ter problemas psicológicos e clínicos. Todos devem fazer exames rotineiros e periódicos para detectar eventuais patologias posteriores", explicou. "Em situações como essa, é certo que queimados graves terão de passar por diversos procedimentos para recuperar a pele e teme-se que alguns envolvidos tenham depressão, complicação pulmonar e até alterações neurológicas."

Além de prestar assistência, o serviço do governo vai gerar conhecimentos para o futuro. "Em episódios como esse, há estatísticas como as de quem chega ao hospital e morre, quem chega e vai para a alta e até mesmo de suicídios", destaca Simoni, revelando que três internações feitas desde o incêndio foram motivadas pelo temor de que o paciente atentasse contra a própria vida.

Onze pacientes tiveram alta ontem. Dos 81 feridos que permanecem internados em sete hospitais de Porto Alegre, três de Santa Maria, um de Canoas e um de Caxias do Sul. E 23 respiram com ventilação mecânica. / COLABOROU PABLO PEREIRA

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