Sobe para 10 nº de mortos pelo tráfico na Favela da Chatuba

Corpos estavam em Campo de Instrução de Gericinó, do Exército, em Mesquita; local era refúgio de traficantes

ANTONIO PITA / RIO , O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2012 | 10h10

Subiu para dez o número de mortos na onda de violência na cidade de Mesquita, Baixada Fluminense, no último fim de semana. Ontem à tarde foram encontrados mais dois corpos. O de José Aldecir da Silva Junior, de 19 anos, desaparecido desde sábado, foi localizado no Campo de Instrução de Gericinó (CIG), do Exército, ao lado da favela da Chatuba. O local era usado como refúgio por traficantes, que mantinham um acampamento na mata.

Aldecir foi identificado por uma tatuagem no antebraço esquerdo e pelas roupas, descritas pelos parentes que acompanhavam as buscas. Há marcas de tiros na cabeça. Ele havia saído no sábado pela manhã para passear pelo parque com seu pássaro. Testemunhas afirmaram que Aldecir foi agredido e capturado pelos traficantes.

Seu pai, José Aldecir da Silva, acompanhava as buscas dos policiais. Aldecir Junior deixou a mulher grávida de 9 meses. "Meu filho nunca fez mal a ninguém", disse, desolada, a mãe do jovem, que não quis se identificar.

Os policiais chegaram ao local onde os corpos estavam após denúncias e depoimentos de parentes das vítimas. O segundo corpo encontrado ontem, ainda não identificado, estava em avançado estado de decomposição. No sábado, na trilha que leva à Cachoeira das Pedrinhas, seis jovens foram capturados e mortos pelos traficantes.

Após negar que a área estivesse sob sua responsabilidade, o Exército confirmou na noite de ontem que o local integrava o CIG. Quando os corpos foram encontrados, 20 militares patrulhavam a trilha e outros percorriam o morro, dentro da área do parque de Gericinó. De acordo com o coronel Sandro Xavier dos Santos, do Comando Militar do Leste, a área é "grande e não há condição de patrulhar tudo".

Também no sábado, o pastor Alexandre Lima foi assassinado na Chatuba porque teria visto a execução do cadete da PM Jorge Augusto de Souza Alves Júnior. Cildes Vieira do Espírito Santo, pai de Christian França Vieira - um dos seis jovens mortos - afirmou que vai entrar com ação contra o Estado pela omissão do Exército na segurança da área. "Meu filho e outros jovens morreram pela incompetência da polícia e do Exército, que entregaram a área para os bandidos."

Prisões. A Polícia Civil apresentou ontem dois menores, de 15 e 16 anos, suspeitos de participar dos assassinatos. Eles seriam gerentes do tráfico, segundo o delegado Júlio da Silva Filho. Os suspeitos negam a acusação.

Outro acusado tinha sido preso anteontem e cinco continuam foragidos.

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