Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Sob risco de interdição, Ceagesp será reformada

Por causa de infiltrações, fiação irregular e outros problemas no pavilhão, feira de flores, frutas e verduras terá de mudar de lugar

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2010 | 00h00

As feiras de flores, frutas, verduras e o "varejão" da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) vão mudar de lugar por problemas de infraestrutura no pavilhão onde ocorrem. Vistoria da Subprefeitura da Lapa, a pedido do Ministério Público, obrigou a direção a iniciar uma reforma imediata ou interditar o local, que está repleto de infiltrações, fiação exposta, telhado instável e ferrugem no teto e nas pilastras.

A companhia decidiu começar a reforma até dezembro. Além da determinação da subprefeitura, outra vistoria feita em agosto pelo Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) encontrou o sistema de proteção contra incêndio defasado e mandou revisar os hidrantes, trocar os quadros de luz - de madeira - e a sinalização de equipamentos de incêndio e rotas de fuga.

A Ceagesp tem até hoje para apresentar um laudo estrutural do pavilhão e um cronograma de obras. Também hoje, o diretor-presidente da companhia, Mario Maurici, deverá reunir-se com a empresa responsável pela reforma. Se essa for por módulos, os vendedores terão de se "espremer" no espaço restante do pavilhão. Caso a reconstrução do pavilhão inteiro seja necessária, todos precisarão mudar para um espaço ainda indefinido.

Desabamento. Uma reunião de emergência foi convocada ontem pela diretoria para prestar esclarecimentos aos permissionários, exaltados com os rumores de um possível desabamento do pavilhão. Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Flores e Plantas do Estado (Sincomflores), Paulo Murad, um laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) apresentado pela própria Ceagesp em 2006 falava do risco iminente de queda da marquise.

"Só queremos a segurança das famílias que trabalham e dependem desse pavilhão para sobreviver", disse Murad. Foi ele quem protocolou a representação no Ministério Público Estadual pedindo informações sobre a situação do Mercado Livre do Produtor (MLP). "Nem no meu pior pesadelo pensei em demolir o pavilhão. As vistorias da subprefeitura e do Contru também não falaram disso em nenhum momento", rebateu Mario Maurici.

O Estado esteve no local e viu pilastras deterioradas, buracos mal tapados no chão, fiação elétrica exposta e infiltrações na marquise. O local também não tem proteção contra chuvas, porque tem laterais abertas. "É precipitado dizer se aquilo desaba ou não. Mas é responsabilidade ética da Ceagesp responder ao Ministério Público sobre a necessidade dessa reforma", disse ao Estado o subprefeito da Lapa, Carlos Fernandes.

Mudanças. Na reunião de ontem, comissões de até 20 pessoas por segmento (flores, verduras e varejo) foram formadas para discutir o futuro. A maior preocupação dos permissionários é sobre como será o período de transição da reforma - os quase 2 mil vendedores (cerca de 1,1 mil floristas, 600 verdureiros e 300 varejistas) temem perder clientela por falta de lugar fixo.

O impasse envolve a realocação dos permissionários que dividem os quase 30 mil m² de área. "O certo era fazer por etapas. Pelo menos foi o que prometeram uma vez", disse o comerciante Erivaldo Tavares, que tem uma banca de verduras montada diariamente no pavilhão.

"Só quero saber para onde vão mandar a gente. Não dá para deixar os vendedores a ver navios, mandar todo mundo vender na Marginal", diz o florista Jonas Roberval Xavier, que trabalha há 38 anos no pavilhão - a feira de flores existe há 40. "O problema é a falta de manutenção. Eles deveriam ter tomado uma atitude antes e não deixar chegar a esse ponto", afirma Marcelino Oda, que tem uma banca de flores.

Em nota, a Ceagesp afirmou que o local não corre nenhum risco iminente de desabamento. Além disso, a direção da companhia vai procurar a Subprefeitura de Lapa para saber se as providências "que já tomou e vai tomar são suficientes para evitar uma possível interdição".

PONTOS-CHAVE

Inauguração

A Ceagesp foi inaugurada em 1969, a partir da fusão de duas empresas de abastecimento já existentes, o Ceasa e a Cagesp, que também pertenciam ao governo estadual

Volume

48 mil

toneladas de flores e plantas foram comercializadas no pavilhão MLP em 2009. A feira existe há 40 anos

Alagamentos

Por ficar entre os Rios Pinheiros e Tietê, a Ceagesp enfrenta alagamentos frequentes. Em janeiro, a água invadiu 90% das ruas do mercado e estragou 560 toneladas de frutas

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