Felipe Resk/Estadão 
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Sob protesto, Alckmin inaugura estação Fradique do metrô

Governador disse que receberá os manifestantes nesta semana; estação, prevista para 2010, deve receber 15 mil pessoas por dia

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2014 | 11h17

Atualizado às 15h20

SÃO PAULO - A inauguração da Estação Fradique Coutinho, da Linha 4 - Amarela, na manhã deste sábado, 15, foi marcada por um protesto de moradores, contrários a obras de habitação na região do Parque dos Búfalos, na zona sul da capital paulista. O grupo com 15 pessoas aproveitou a festa de abertura da 69ª estação do Metrô para usar nariz de palhaço e estampar cartazes de protesto em defesa do manancial da Represa Billings que, segundo afirmam, estaria em risco com as obras.

“Alckmin, concreto nas nascentes não!”, dizia um dos cartazes. Em outro, era possível ler: “Haddad, prédios irão matar o manancial da represa Billings”. Apesar de poucos, os manifestantes incomodaram muitos correligionários do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Antes mesmo da chegada do governador, ainda do lado de fora da estação, houve bate boca e muitas tentativas para que os manifestantes deixassem o local - o que não foi atendido.

Quando Alckmin chegou à estação, por volta das 9h40, foi recebido por gritos de “Geraldo! Geraldo!”, por parte de seus apoiadores. Em minoria, os manifestantes tentavam responder: “O parque é nosso há 40 anos!”. Em uma das tentativas de fazer o grupo desistir da ação, uma mulher tentou argumentar. “Parem, hoje é dia de festa”, disse. “Festa?! Entreguem estação lá em Parelheiros (zona sul)! Burguesa!”, retrucou um dos mais exaltados.

Segurando cartazes, o grupo acompanhou o governador por toda a Estação Fradique Coutinho e também embarcou no metrô que levou Alckmin até a Estação da Luz. Dentro da composição, mais uma tentativa de fazer o grupo desistir. “As obras são do Minha Casa Minha Vida, quem autoriza é o governo federal. Por que vocês não vão falar com eles?”, perguntou um passageiro. “Não ensinaram a gente aonde ir, então as autoridades têm de nos ouvir”, respondeu um manifestante.

Sem demonstrar embaraço, Alckmin conversou rapidamente com um dos líderes. Durante a coletiva, afirmou que vai encontrar com o grupo ainda nesta semana. "Combinei com eles e vou recebê-los", disse.


Estação. Prevista para ser entregue em 2010, a Fradique Coutinho teve as obras iniciadas nove anos atrás. Em 2007, no entanto, um deslizamento em Pinheiros, que abriu uma cratera de 80 metros de diâmetro e causou a morte de sete pessoas, alterou o cronograma da obra.

Durante sua inauguração, o governador negou que tenha havido atraso. "O contrato foi assinado em maio de 2012. Foram 30 meses de obra e olhe o tamanho da estação", disse Geraldo Alckmin. Segundo o governador, a estação fazia parte da segunda fase da Linha 4 - Amarela.

A expectativa do governo estadual é que 15 mil pessoas passem pelo local diariamente, o que representa apenas 2% dos 700 mil passageiros diários da Linha 4 - Amarela. Para o governador, a estação vai contribuir para a qualidade de vida da população, além da verticalização da região e do desafogamento do trânsito. “Ela fica a um minuto da Estação Faria Lima, e a dois minutos da Paulista”, afirmou Alckmin.

Um dos beneficiados será o morador João Carlos Alberti, de 65 anos, que, apesar de aposentado, ainda vai trabalhar de ônibus na Vila Maria, na zona norte, todos os dias. “Com o metrô, eu vou deixar de perder quase uma hora por dia no trânsito”, contou. “Sem contar o conforto”, disse. “Apesar dos atrasos, a estação está excelente”, comentou o office-boy Idenilton Marques, de 36 anos, que aproveitou o fim de semana para acompanhar a inauguração.

A Fradique não acrescentará nenhum quilômetro aos 78,4 km da rede metroviária, que inclui o monotrilho da Linha 15 - Prata. Até sexta-feira, a estação funcionará das 10 às 15 horas. No outro sábado, 22, a operação passa a ser das 4h40 à meia-noite.

De acordo com o Geraldo Alckmin, a Estação Higienópolis-Mackenzie vai ser entregue no primeiro semestre de 2015. Já a Estação Oscar Freire será inaugurada 90 dias depois. Em 2016, está prevista a abertura das Estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, que vai contar com um terminal de ônibus. Ao concluir essas obras, a Linha 4 - Amarela terá 12,8 quilômetros de extensão.

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