Fabiana Cambricoli Souza/Estadão
Fabiana Cambricoli Souza/Estadão

'Só vimos o carro em alta velocidade na nossa direção'

Ferida em atropelamento na USP, Anelive Torres terá de passar por cirurgia no joelho: 'Meu sonho (correr uma maratona) foi adiado'

FABIANA CAMBRICOLI, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2014 | 02h02

SÃO PAULO - "Não deu tempo nem de piscar. Só vimos um carro em alta velocidade acertando o seu Álvaro e vindo na nossa direção. Foi horrível." Ainda confusa por causa dos fortes analgésicos prescritos pelos médicos, a biomédica Anelive Torres, de 35 anos, descreveu o momento em que ela e mais quatro corredores foram atropelados anteontem por um motorista embriagado dentro do câmpus da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, na zona oeste.

Anelive teve os ligamentos do joelho esquerdo rompidos e escoriações por todo o corpo. Ela recebeu alta anteontem à noite, mas deverá voltar ao hospital nas próximas semanas para passar por uma cirurgia no joelho. O analista de sistemas Álvaro Teno, de 67 anos, morreu no acidente. Uma das melhores amigas de Anelive, a médica Eloísa Pires do Prado, de 43 anos, sofreu fraturas nas pernas, quadril e cabeça e continua internada, sem risco de morrer. O motorista Luiz Antonio Machado, de 43 anos, foi preso em flagrante e vai responder por homicídio culposo (sem intenção), lesão corporal e embriaguez ao volante.

Ao Estado, Anelive contou que, assim como faz todos os sábados, corria com Eloísa e o treinador na Cidade Universitária. As duas treinavam para participar pela primeira vez de uma maratona, em Buenos Aires, em outubro. "Ia completar meus primeiros 28 km. Estávamos correndo desde as 7h30."

Por volta das 9h, Machado invadiu a faixa da direita da pista, onde ficam os corredores, e atropelou o grupo. "Foi muito rápido. Lembro dele nos atingindo e depois só fui acordar quando estava sendo atendida pelos bombeiros", diz.

Anelive soube que uma das vítimas tinha morrido e que o motorista dirigia alcoolizado depois de ser levada para o hospital. "Não foi uma fatalidade. Todo mundo sabe que é proibido dirigir embriagado. A sensação que fica é de impotência. Você sai de casa de manhã, deixa seus filhos para treinar e realizar o sonho de completar uma maratona e passa por isso", diz ela, mãe de um garoto de 5 anos e de uma menina de 2. "No meu caso, o sonho foi adiado, mas o seu Álvaro perdeu a vida. Espero que a Justiça seja feita."

Anelive diz ainda que espera que a USP implemente nos fins de semana divisões de espaço para corredores, ciclistas e carros. "Já presenciei vários ciclistas sendo atropelados por carros, já vi uma bicicleta atropelar uma corredora." Procurada, a USP não se pronunciou sobre o assunto ontem.

Corredores planejam para sábado um ato na Cidade Universitária contra a morte de Teno, que foi enterrado ontem. O horário ainda será definido. Atletas pedem que, neste dia, corredores vistam preto. Ontem, em evento em Santa Catarina, vários atletas correram de branco, pedindo paz no trânsito, e homenagearam Teno. /COLABOROU LUCIANA MAGALHÃES

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