Só um sindicato move ação em favor de 32 mil servidores

A categoria responde por 51,9% dos vencimentos pagos em maio acima do teto do funcionalismo

Fernanda Aranda e Renato Machado,

18 Junho 2009 | 06h19

Os vencimentos divulgados na internet evidenciaram pagamentos altos para uma classe sempre marcada pela baixa remuneração. Os servidores da Educação respondem por 51,9% dos 2.418 servidores que tiveram pagamentos em maio acima do teto do Município (R$ 12,3 mil, salário do prefeito) - segundo levantamento feito pela reportagem apenas com os funcionários diretos. A explicação para os números, avalia o sindicato da categoria, é que são os professores o maior grupo de profissionais contratados diretamente e também os que acumulam mais ganhos judiciais contra a administração.

 

Proporcionalmente, as 1.255 pessoas que receberam mais do que o próprio prefeito somam 1,81% do total de trabalhadores. Além disso, há os casos de quinquênios e evoluções funcionais por mérito e antiguidade - que demoram para ser analisados e, ao serem pagos de uma só vez, contam com efeito retroativo.

 

Dados de um único sindicato mostram que entre os profissionais da Educação estão ao menos 32 mil pessoas que movem uma ação contra a Prefeitura - e alguns teriam tido ganhos extras no mês de maio.

 

O Sindicato dos Profissionais do Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeen) afirma que, considerando apenas os servidores que ajuizaram pedido de revisão salarial de 82,51% - resultante de um imbróglio de 1995, quando o então prefeito Paulo Maluf revogou a lei anterior e concedeu aumento de 6% - ainda não foram beneficiadas 5 mil pessoas. "Apenas em 2003, o Supremo Tribunal da Justiça (STF) nos deu ganho de causa. Para receber os pagamentos, que são retroativos, os servidores devem chegar à última instância", justifica o presidente do Sinpeen, Cláudio Fonseca. "Muitos estão recebendo agora, outros receberam no mês passado. Sem contar as outras ações e também os servidores que moveram ações individuais."

 

O Departamento Jurídico do Sinpeen fala ainda de erros de digitação, problemas em pagamentos que resultaram em revisão e férias que não foram pagas. A confusão e o constrangimento em divulgar situações irreais de professores, que podem ter sido rotulados de "marajás", também fizeram o sindicato entrar com mandado de segurança para tirar o site do ar. "O motivo foi a exposição da privacidade dos nossos servidores", alegou Fonseca.

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Sindicato servidores São Paulo

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