Só restou ficar onde deixam

Perambulando pelas ruas de Maceió, centenas têm só um sonho em comum: obter um teto

Ricardo Rodrigues / MACEIÓ, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2010 | 00h00

A onda de assassinatos e espancamentos de moradores de rua tem espalhado medo entre quem caminha sem abrigo por Maceió. Existem de 300 a 400 pessoas nesta situação. Elas passaram a se abrigar não mais onde podem, mas onde deixam - debaixo de marquises, na orla marítima ou em casas abandonadas na região central.

O desempregado Tiago Carlos da Silva, de 21 anos, improvisou moradia na Praça Marcílio Dias, em Jaraguá, na companhia da mulher, Verônica Maria da Silva, de 36 anos, e da amiga Leonice Alves Ribeiro, de 40. Tiago diz que é mecânico, mas há quatro anos perdeu o emprego em Garanhuns (PE) e decidiu tentar a sorte em Maceió. "Aqui também não consegui emprego e continuo nas ruas." Os três estão assustados com os assassinatos. "Não bebo, não uso drogas, não roubo. Acho que não vão me atacar, mas sempre fica a dúvida."

Valdeci Targino de Oliveira, de 64 anos, é uma veterana nas ruas. Há 13 anos arranjou um lugar à beira da linha férrea no bairro de Jaraguá. Hoje tem a companhia de 12 desabrigados e retira o sustento da carroça e do que todos catam nas ruas. Ela diz que na área onde mora nunca houve atos de violência. "Mas sei que existe violência em outros lugares."

O sonho de Tiago e de Valdeci é ter uma casa. Ele já foi abordado por agentes do programa Guardião da Cidadania, projeto assistencial da prefeitura. "Prometeram alugar uma casa para a gente, mas é apenas por três meses. E depois: vou voltar a morar nas ruas? Só saio daqui para uma casa minha. Não adianta esse aluguel que prometem. Aqui ganho o pão de cada dia", afirma Valdeci.

Quatro vítimas nem têm nome

OS MORTOS

Adnelson da Silva - 13/1

José Conceição - 26/1

José Luiz - 13/2

Lucivânia Tavares - 1º/3

Ismael Cavalcante - 16/3

Fernando da Silva - 7/4

José dos Santos - 6/4

Rogério de Araújo - 20/4

Tharles Tenório - 7/5

José dos Santos - 12/5

André de Barros - 29/5

Aurélio Filho - 4/6

"Tchelo" - 29/6

Rafael Rodrigues - 2/7

"Gordinho" - 19/7

Adriano da Silva - 26/7

Elenildo de Oliveira - 20/8

"Potó" - 4/9

Anderson Rodrigues - 8/9

Weverton da Silva - 25/9

Daniel - 27/9

"Galego" - 5/10

"Piuí ou Fedorento" - 10/10

Darlan da Piedade - 10/10

Alexsandro Palmeira ("Jesus") - 13/10

José Sérgio dos Santos - 26/10

"Timbalada" - 31/10

Ainda houve mortes em 1º/6. 21/7. 21/8 e 18/9

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