'Só falta a PM ter de aguardar', diz Kassab

Sem ter autorizado cerco na Luz, prefeito reduz importância do Complexo Prates

FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2012 | 03h01

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), afirmou ontem que a inauguração do Complexo Prates - centro de acolhimento e tratamento para usuários de drogas - independe da Operação Integrada Centro Legal, deflagrada na terça-feira na cracolândia, na Luz, região central de São Paulo. Reportagem do Estado revelou que o patrulhamento na região começou antes da hora, sem o conhecimento do prefeito, como ele mesmo admitiu, do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do comando-geral da Polícia Militar. E sem o equipamento para os dependentes concluído, conforme planejado.

"Só falta essa agora de a polícia ter de aguardar os equipamentos da saúde e da assistência social ficarem prontos para fazer aperfeiçoamentos nas suas ações", disse Kassab. Em visita às obras do espaço de 11 mil metros quadrados, na Rua Prates, no Bom Retiro, Kassab prometeu entregar tudo funcionando até o fim de fevereiro.

Antes, até o fim deste mês, já serão prestados os serviços de assistência social. A capacidade é de 1,2 mil pessoas atendidas a cada dia. O complexo terá uma quadra de futebol, salas individuais para atendimento clínico e terapêutico, um albergue, uma horta, um pomar e uma escola de jardinagem.

Kassab e a vice-prefeita e secretária de Assistência Social, Alda Marco Antonio, alegaram que a Prefeitura já tem outros equipamentos próximos em funcionamento, como o centro de convivência da Rua Mauá e AMAs e albergues. Kassab evitou, dessa forma, admitir que o funcionamento do Complexo Prates fosse importante para atender todos os dependentes da cracolândia - cerca de 2 mil. O prefeito defendeu, no entanto, que haja mais integração e interlocução entre as esferas de poder público envolvidas na operação.

Traficantes. A cracolândia está cada dia mais vazia. Ontem, alguns usuários perambulavam por lá, mas sem se agrupar. Na quarta madrugada consecutiva de operação, PMs detiveram quatro supostos traficantes que mantinham um ponto de venda de droga na Rua Helvétia.

Com os detidos, os policiais apreenderam 520 pedras de crack, R$ 1.500 em dinheiro, três balanças e 18 relógios.

Para moradores do entorno da cracolândia, o maior avanço trazido até agora pela intervenção do poder público, porém, é a limpeza de ruas antes completamente tomadas pelo lixo. Em cinco dias de operação, a Prefeitura recolheu 30 toneladas de lixo.

A auxiliar de limpeza Telma Maria da Conceição, de 27 anos, diz que estava acostumada com os dependentes de crack. A sujeira ela não conseguia aguentar. "Tudo aqui tinha um cheiro péssimo." / COLABOROU ARTUR RODRIGUES

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