Só balseiro improvisado, sem salário, ''une'' a cidade

Quem mora ou trabalha do outro lado do Rio Mundaú, que corta Branquinha, ficou isolado depois que a enxurrada levou a principal ponte do município, que ligava o centro à zona rural, onde ficam sítios, fazendas e assentamentos de sem-terra. Para atravessar o rio, as pessoas se arriscam usando uma balsa improvisada pela prefeitura. O barqueiro José Márcio dos Santos, de 21 anos, mostra as mãos calejadas, marcadas pelo prateado do cabo de aço que usa como guia, para controlar a embarcação.

Ricardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2010 | 00h00

Ele trabalha cerca de 18 horas diárias - das 5 horas até de noite - e não tem salário: ganha gorjeta das pessoas que ajuda a atravessar o rio. Diz que foi a prefeitura que mandou fabricar a balsa. "Essa agora é boa, é segura, mas a outra não aguentava peso, virou com quatro pessoas em cima e duas bicicletas. Felizmente, ninguém morreu, porque a balsa estava na beira do rio quando virou", lembra o barqueiro.

Com a filha Gabriela nos braços, Maria de Lourdes Alves da Silva, de 35 anos, aguarda o momento da travessia. Ela diz que vai visitar a irmã que mora do outro lado do rio. "Moro perto da delegacia. No dia da cheia, a água cobriu a minha casa. Nós perdemos quase tudo que tínhamos. Só deu tempo de sair de casa e ir buscar abrigo na parte alta cidade", conta. "Felizmente, quando a água baixou, deu para recuperar a casa e não precisamos ir para os abrigos."

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