Só 5 horas depois, Mocidade Alegre é declarada campeã

Escola que superou incêndio em janeiro só pôde festejar o 8º título no Grupo Especial às 22h45; Rosas de Ouro ficou com o 2º lugar

BRUNO RIBEIRO , DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2012 | 03h01

Só cinco horas após a interrupção na apuração do carnaval paulistano, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo divulgou que a Mocidade Alegre ganhou o carnaval paulistano. A decisão foi do colegiado dos presidentes de escolas, por 7 votos a 5. Nenhuma punição às agremiações envolvidas na confusão da tarde foi divulgada. A Prefeitura só deve pronunciar-se hoje.

Mesmo assim, o anúncio causou revolta e dirigentes da Rosas de Ouro (2ª colocada) e da Camisa Verde e Branco (rebaixada) ameaçavam não desfilar em 2013. O presidente da Liga, Paulo Sérgio Ferreira, já havia adiantado à tarde que deveria ser mantido o resultado até a suspensão da apuração. "Tem escola que não sabe perder. O jogo é jogado, a regra é clara."

Já a presidente da Mocidade, Solange Bichara, hostilizada no Anhembi, também não ficou satisfeita. "Não queria ser campeã em cima de ninguém. Preferia que as notas fossem lidas para consagrar a escola."

A agremiação da zona norte precisava de apenas um 9,9 entre as duas notas que restavam ser anunciadas para festejar. A quadra no Limão estava lotada, em silêncio, na expectativa (veja abaixo). Foi quando as notas acabaram rasgadas. À noite, os dirigentes optaram por usar o artigo 29 do regulamento, para considerar só uma das notas no quesito Comissão de Frente - o que normalmente só ocorreria se o julgador deixasse o voto em branco.

A discussão demorou horas porque, segundo Fábio Andrade, do Departamento de Carnaval da Liga das Escolas de Samba de São Paulo, chegou-se a um impasse, uma situação não diretamente prevista no regulamento. "Caso faltasse só uma nota, o artigo 11 prevê que seja feita a média das outras duas", observou.

Não existe nenhuma cópia dos votos dos jurados. Cada uma das cédulas de apuração é feita com papel moeda, com nove itens de segurança e código de barras, para evitar falsificações. Também se descartou uma consulta aos julgadores. "Agora, eles já sabem da confusão."

A situação era confusa tanto em relação ao título quanto ao rebaixamento. A diferença entre a penúltima (Pérola) e a antepenúltima colocada (Águia de Ouro) era de 0,4. Já a distância entre Mocidade e Rosas e Vai-Vai (3.º lugar) era de apenas 0,2.

A Morada do Samba. Trata-se do oitavo título da Mocidade. Com isso, ela passa a ser a quarta maior ganhadora do carnaval paulistano, atrás apenas da própria Camisa (9 títulos), da Nenê de Vila Matilde (11 troféus) e da Vai-Vai (14 vitórias). Curiosamente, quando a Mocidade surgiu, em 1967, a Nenê já detinha seis títulos.

Após o título de 2009, a Mocidade veio neste ano com garra renovada, para superar o incêndio que atingiu seu barracão em janeiro. O enredo, com base no livro Tenda dos Milagres, de Jorge Amado, ganhou as arquibancadas, sobretudo graças ao show da bateria. Neste ano, foi Aline Oliveira, de 22 anos, rainha da ala, quem cadenciou o som da escola. Em três momentos do desfile, ela subiu em uma plataforma móvel em meio aos ritmistas, e tocou um surdo no mesmo tom que o restante da bateria. A plateia foi ao delírio.

Também não faltou, na bateria do Mestre Sombra, o movimento chamado "cubo mágico", no qual o grupo se divide e alterna de posição. "Quando o pessoal vê que é a Mocidade, já pensa que vai ter surpresa na bateria. Virou uma obrigação", disse Sombra no sambódromo.

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