Só 4% dos semáforos têm sistema antiapagão

Dos 4.815 controladores de sinais da cidade, 200 receberam bateria que impede queda de energia e estão preparados para a época de chuvas

ARTUR RODRIGUES , BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h02

São Paulo entra no período de chuvas com 96% dos semáforos vulneráveis a apagões. Apenas 200 dos 4.815 controladores semafóricos da cidade têm baterias que impedem que os aparelhos fiquem desligados ou em amarelo piscante durante quedas de energias causadas por temporais.

Na tarde de ontem, por causa da chuva, a cidade chegou a ter 42 semáforos apagados ou com amarelo piscante. As falhas complicaram ainda mais o trânsito, que teve 195 quilômetros de congestionamento às 19h.

"Falta investimento em novas tecnologias para poder manter o sistema operando com qualquer condição climática. São Paulo não pode ter esse tipo de problema", afirma o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Engenharia de Trânsito (Abeetrans), Silvio Médici.

A Prefeitura instalou as 200 baterias neste ano. Os aparelhos colocados nos controladores dos semáforos garantem quatro horas de energia, o que permite que a sinalização nesses locais funcionem mesmo durante um apagão e, principalmente, após as tempestades. A administração municipal afirma que serão instalados "em breve" mais 174 aparelhos no-breaks, adquiridos em parceria com a AES Eletropaulo.

Além da fragilidade, falta inteligência ao sistema semafórico da cidade. Atualmente, 1.633 dos 6.156 cruzamentos com faróis contam com o sistema inteligente. Mas, por falta de manutenção, apenas uma parcela funciona efetivamente.

Especialistas afirmam que semáforos inteligentes podem melhorar o trânsito em até 25%. Desde 2004, a Prefeitura tem uma receita de cerca de R$ 3,5 milhões, adquiridos por meio de um empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a instalação de semáforos inteligentes.

O site de prestação de contas do projeto na internet informa, no entanto, que nove anos depois de o acordo ser assinado, o programa ainda está "a iniciar". A Prefeitura afirma que o dinheiro foi realocado para a reforma da Praça Roosevelt e do anexo da Biblioteca Mário de Andrade, ambas as obras também no centro da cidade,

Atualmente, o principal investimento da Prefeitura é universalizar todos os códigos dos semáforos da cidade, em um projeto em parceria com a Universidade de São Paulo. Com isso, a sinalização funcionará de maneira integrada - os códigos de parte dos aparelhos de hoje não são integrados, por terem tecnologias diferentes, o que limita as operações. A longo prazo, a ideia é que se consiga, por exemplo, que uma ambulância que esteja transportando um paciente consiga fazer um trajeto com a maioria dos semáforos verdes. A operação seria coordenada de uma central de monitoramento.

LED. A Prefeitura afirma que, em 2011, investiu R$ 47 milhões em ações de manutenção do sistema semafórico e de sinalização da capital. Entre as prioridades, está a troca de todas as lâmpadas fluorescentes por modelos de LED, mais econômicos.

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