Só 3% ainda dispensam a cadeirinha no carro

Lei faz 1 ano e capital paulista tem menos de 3 multas por dia; nº de roubos aumenta

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2011 | 00h00

Um ano após a lei, o uso obrigatório da cadeirinha para crianças de até 7 anos parece ter sido incorporado ao dia a dia do paulistano. Segundo a Polícia Militar, de setembro de 2010 até agora, somente entre 2% e 3% dos motoristas abordados estavam sem o equipamento. A PM também atribui à cadeirinha a queda no número de mortes de crianças em acidentes de carro: foram 33 em 2009 e 14 no ano passado - uma redução de 57%.

"Outro dia, um cliente contou que capotou com o carro na estrada e não aconteceu nada com o filho dele, que estava na cadeirinha", conta Rogério de Oliveira, gerente de uma loja infantil que tem o equipamento como carro-chefe de vendas. Quando a lei entrou em vigor, alguns modelos chegaram a ficar em falta no mercado. Foi só a partir de fevereiro, segundo os comerciantes, que a corrida pelas cadeirinhas começou a se normalizar.

Hoje, é difícil encontrar pais de crianças de até 7 anos e meio sem um modelo instalado no carro da família. "É caro, dá trabalho e as crianças menores têm uma certa resistência. Mas é indiscutível, tem de usar", afirma a designer Priscilla Perlatti, de 33 anos, que tem duas filhas, de 3 e 6 anos. Ela conta que teve dificuldades quando tinha um carro menor, em que mal cabiam as duas cadeirinhas. "Dar carona a outra criança também ficou difícil."

Nas primeiras semanas da lei, a PM aplicava pelo menos oito multas por dia a motoristas sem o equipamento, a mesma média vista nas blitze da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) realizadas de setembro de 2010 a julho deste ano.

Hoje, são menos de três autuações diárias pelo Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran). "A população tem respeitado as normas porque a maioria dos transportados é da familiar e ninguém quer mal aos seus", diz o Chefe da Divisão Operacional do CPTran.

Segurança. As exceções da regra continuam a valer - vans e táxis não são obrigados a ter cadeirinha e os carros fabricados antes de 1998 podem usá-la no banco da frente. A justificativa é de que os carros mais antigos não têm cintos de três pontas (o que "cruza" o corpo e é mais seguro) no banco de trás.

Mas até algumas vans escolares, mesmo sem a obrigação, usam a cadeirinha de forma preventiva. "Basta ter uma criança que tenha idade para usar, a gente coloca. Os pais e a escola pedem", conta o motorista Gilmar Alves de Carvalho, de 40 anos, que dirige uma van escolar em Perdizes, zona oeste da cidade.

As cadeirinha ou boosters - assentos elevados para crianças de 4 anos a 7 anos e meio - custam entre R$ 70 e R$ 1 mil nas lojas de São Paulo. Para a administradora de empresas Vanessa Bonadio, de 35 anos, o investimento compensa. "Precisei comprar duas, uma para cada carro. Mas o benefício é tão grande que compensa", conta ela, mãe de uma menina de 4 anos.

Roubo. Depois da lei, as cadeirinhas viraram objeto de cobiça também para os ladrões - a Polícia Civil registrou 53 furtos desse tipo até maio, o quíntuplo do número de todo o ano de 2010.

Avô de Diego, de 4 anos, o aposentado Roberto Aredes de Carvalho, de 70 anos, não sai com o neto de carro sem o equipamento de segurança. Especialmente para ele, é impossível não cumprir a lei. "Tenho um filho de 18 anos que ficou paraplégico em um acidente de carro porque não usava a cadeirinha."

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