Só 2 das 31 subprefeituras da cidade não têm obras atualmente

São elas: Parelheiros, na zona sul, e Guaianases, na leste; entre os bairros, Itaquera lidera, com 93 km de novas redes

O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2011 | 03h03

Está na zona leste o maior canteiro de obras públicas de São Paulo. Itaquera, o bairro da Copa do Mundo de 2014, ganhará, até o fim do ano, 93 quilômetros de redes novas ou modernizadas. A maior parte se refere a ligações de água e gás, principalmente nas vias com alta concentração de prédios populares. A Penha, área vizinha, ocupa o segundo lugar do ranking, com outros 83 km de obras em execução com as mesmas características.

Pinheiros, na zona oeste, aparece em sétimo lugar, com serviços concentrados na Avenida Brigadeiro Faria Lima, que liga a Vila Madalena ao Itaim-Bibi, dois dos bairros residenciais mais valorizados da cidade. A via recebe hoje intervenções de várias concessionárias, incluindo a Eletropaulo, que está enterrando sua fiação no local. A movimentação começa às 22h, mas o barulho invade a madrugada.

"A sorte é que aqui mora pouca gente. Quando começa o barulho, não dá nem para falar ao telefone", afirma o porteiro Adelmo Ferreira da Cruz, de 51 anos, que trabalha em um prédio próximo do cruzamento com a Avenida Cidade Jardim.

A diretora do Departamento de Controle de Uso de Vias Públicas (Convias), Antonia Guglielmi, explica que todas as intervenções são pagas pelas concessionárias. "O valor representa uma espécie de aluguel e é calculado de acordo com a localização, o tamanho da obra e o dano causado à via. A partir do momento em que recebe o alvará - processo que demora, em média, de dois a três meses -, a concessionária já deve começar a pagar", diz.

O número de pedidos em análise no órgão triplicou no segundo semestre. Em setembro, o Convias recebeu 154 solicitações, ante 55 em junho. "Ainda estamos nos adaptando a essa nova realidade. As construtoras têm feito os pedidos de ligações de água e gás, por exemplo, muito em cima da hora", diz Antonia. O resultado é que, da lista de 31 subprefeituras, apenas duas não têm obras: Parelheiros, na zona sul, e Guaianases, na leste.

Hoje, 333,8 obras, em média, recebem aval da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) todos os meses. Há dois anos, esse número era de 269,8 - 20% menor. Só a Companhia de Gás do Estado de São Paulo (Comgás) planeja expandir a rede em 400 km neste ano. O investimento é mais do que o dobro do realizado no ano passado.

Saúde pública. Se para as concessionárias os incômodos provocados pelas obras são reflexo dos investimentos realizados, para a medicina representam um risco ao bem-estar. Segundo a fonoaudióloga Karina Mary de Paiva, mestre em Saúde Pública pela USP, a poluição sonora pode ser prejudicial à qualidade de vida, uma vez que o som de uma britadeira, por exemplo, chega a pelo menos 120 decibéis, o que equivale a um show de rock.

"Antes mesmo de a exposição ao ruído comprometer os limiares auditivos, ela pode provocar sintomas como irritabilidade e dificuldade de concentração. Estudos têm feito ainda associação a quadros de hipertensão, mas em moradores próximos de aeroportos", diz. / A.F.

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