FERNANDA LUZ
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Só 14 das 167 praias paulistas estão impróprias para o banho, diz Cetesb

No ano passado, uma em cada três estava imprópria; a pior situação foi encontrada em São Vicente, com 50% dos locais impróprios, e a melhor em São Sebastião, com as 30 praias em boas condições; óleo no Nordeste amplia ocupação no litoral norte

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2019 | 05h00

SOROCABA - Às vésperas do início oficial do verão, neste domingo, a balneabilidade das praias do litoral paulista teve uma sensível melhora. Boletim divulgado esta semana pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) aponta que 92% das praias estão próprias para banho. Das 167 praias avaliadas em todo o litoral, 153 estavam boas e apenas 14 eram impróprias. Em dezembro do ano passado, 66% das praias estavam aptas para os banhistas. Eram 108 praias liberadas e 59 com a bandeira vermelha por falta de balneabilidade. A coleta de amostras foi feita entre 17 de novembro e o último dia 15.

O principal critério para medir a balneabilidade é o nível de coliformes fecais presentes na água. “Isso significa que em quase todas as praias o banhista vai poder entrar sem correr risco do ponto de vista sanitário. É uma notícia muito boa para o início da alta temporada”, disse Claudia Lamparelli, do setor de Águas Litorâneas da Cetesb. A pesquisa aponta que sete das praias ruins estão no litoral norte – Ubatuba, Caraguatatuba e Ilhabela –, mas com grande redução em relação ao ano passado, quando eram 37. Outras 7 estão na Baixada Santista, nas cidades de Guarujá, São Vicente, Santos e Itanhaém – em dezembro de 2018, havia 17 praias ruins.

Confira a situação das praias em SP

A pior situação na pesquisa deste ano foi encontrada em São Vicente, com 50% das praias impróprias. Em Santos, o índice foi de 40%. No melhor cenário, São Sebastião tinha todas as 30 praias boas para banho. Também tiveram 100% de aprovação as de Praia Grande (12), Bertioga (9), Mongaguá (7), Peruíbe (6) e Ilha Comprida (6). No ano passado, só duas praias – Mongaguá e Bertioga – estavam 100%.

A técnica explica que, no fim do ano passado, a qualidade das praias foi bastante afetada pelas chuvas intensas que atingiram a região, especialmente o litoral norte. “Vínhamos com tendência de melhora desde 2014, mas em 2018 esse fator prejudicou. As chuvas causaram muitos alagamentos e carregaram para o mar tudo o que havia nas ruas, calçadas, inclusive fezes de animais, o que contribuiu para aumentar a poluição fecal.” Esse cenário persistiu nos primeiros meses de 2019, mas a água foi melhorando a partir de março. “A balneabilidade é afetada por fatores sazonais, por isso tende a melhorar no inverno, quando não há chuvas, e piorar no verão. Este ano estamos tendo uma situação favorável pelo índice menor de chuvas na região.”

Ela disse ainda que a extensão de redes de esgoto certamente melhora o quadro. “Em algumas cidades, sabemos que a existência de áreas de ocupação, onde a Sabesp não pode instalar redes de esgoto, afeta a balneabilidade de praias próximas.” Conforme Claudia, a Cetesb ainda não fez o comparativo dos índices do ano todo com 2018, pois faltam dados parciais de dezembro. “Já é possível afirmar que, no conjunto, houve melhora mais expressiva no litoral norte do que na Baixada Santista.”

“Ainda temos desafios, principalmente em Ilhabela e Ubatuba, onde precisamos universalizar a coleta e tratamento de esgotos, mas houve avanços”, disse o superintendente do Litoral Norte da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Rui Cesar Bueno. “Ubatuba acabou de contratar com a Sabesp e, no espaço de 6 a 8 anos, vamos elevar a coleta dos atuais 53% para 96%”, disse.

Efeito óleo

A boa qualidade das praias também anima o comércio. Conforme o presidente da Associação Comercial e Empresarial de São Sebastião, Olivo Balut, a rede hoteleira foi beneficiada pelas manchas de óleo que atingiram as praias do Nordeste, do Rio e do Espírito Santo nos últimos meses. “Nossos hotéis estão com 80% de ocupação para o Natal. Aquele óleo nos favoreceu. Fizemos uma pesquisa em que muitas pessoas declararam que iam viajar para lá, mas desistiram.” 

Em Ilhabela, segundo a Associação Comercial, a ocupação hoteleira no Natal será de 82,1%, bem acima do ano passado, quando ficou em 71%.

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