Só 13% das 1.750 vagas em Caps foram criadas

O secretário de Atenção à Saúde, Helvécio Miranda Magalhães, admite não haver dados precisos sobre o crack no País. "O levantamento de dados epidemiológicos é muito mais complexo do que com outras doenças, como tuberculose", argumenta. "Mas isso não impede que montemos um plano."

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2012 | 02h03

A área de saúde do programa prevê a ampliação de assistência para pacientes dependentes de crack. A meta é abrir 1.750 vagas em Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (Caps-AD), 3.508 em hospitais gerais e 8.610 em unidades de acolhimento - centros que prestam atendimento para pacientes que não têm ou não podem voltar para casa. O ritmo de instalação, no entanto, destoa da pressa com que o programa foi lançado. Do planejado, foram criadas até agora 230 vagas nos Caps AD (13% da meta), 250 vagas em unidades de atendimento (2,9%) e 94 vagas em hospitais gerais (2,67% do planejado). Outras 1.959 vagas foram pactuadas: o acordo para criação já foi firmado e aguarda, agora, execução.

Até agora, só 12 Estados aderiram ao programa. O maior temor do médico Dartiu Xavier, porém, é que pressões políticas possam afastar as ações da lógica de atendimento criada ao longo dos últimos anos. "Começou com a participação de comunidades terapêuticas, uma concessão feita para agradar grupos religiosos", avalia. "Há comunidades de alta qualidade, mas esse não é o padrão."

A mais recente campanha, afirma, é pela internação à força de pacientes. "Há um lobby de antigos donos de clínicas, de hospitais que perderam dinheiro e espaço depois da política antimanicomial. A internação involuntária está prevista em lei, mas não é nem de longe a lógica do tratamento." /A.R. e L.F.

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