Só 12 de 80 motolâncias circulam em SP

Atraso no treinamento de socorristas faz que 85% dos veículos enviados pelo Ministério da Saúde à Prefeitura fiquem na garagem

Cristiane Bomfim, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2010 | 00h00

Resgate. Para pilotar as motolâncias, socorristas têm de fazer 50 horas de curso de direção

 

Das 80 motolâncias recebidas pela Prefeitura de São Paulo para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), apenas 12 estão circulando pela cidade. As motos, usadas para agilizar o atendimento, foram entregues pelo Ministério da Saúde entre abril e dezembro do ano passado, mas 68 delas estão paradas, aguardando a capacitação de médicos e enfermeiros para poderem ser guiadas.

A Polícia Rodoviária Federal, responsável pelo treinamento, afirma que desde o início de março aguarda a formação de novas turmas para iniciar os cursos, que têm 50 horas de duração. Para ser condutor de motolância, segundo programa do ministério, é preciso ser técnico em enfermagem ou enfermeiro.

Embora tenha a expectativa de colocar todas as motos nas ruas até o fim do ano, a Secretaria Municipal da Saúde diz não ter previsão de quando isso ocorrerá. Segundo nota da pasta, 24 profissionais já foram habilitados. Outros 14 inscritos aguardam "agendamento de data" para o curso. A Prefeitura não diz desde quando essa relação existe. Cada motocicleta é usada por dois pilotos, que se revezam em escalas de trabalho. Assim, esses 14 profissionais treinados utilizariam sete motos.

Hoje, os socorristas do Samu levam em média 16 minutos para chegar ao local de um acidente. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o tempo médio do atendimento feito por motociclistas de resgate é de cinco minutos, três vezes menor que o de um carro. A meta, segundo a Prefeitura, é chegar a 10 minutos até 2012.

O inspetor Alexandre Castilho, assessor nacional de comunicação da Polícia Rodoviária Federal, afirma que, para treinar médicos e enfermeiros de todo o País, a Polícia Rodoviária dispõe de cinco equipes, formadas por cinco pessoas cada. "O estabelecido é que cada grupo de treinamento seja formado por 20 pessoas e o que está acontecendo é que o Ministério da Saúde e as prefeituras não estão formando as turmas", diz Castilho.

O último treinamento ocorreu em 22 de fevereiro. "Desde então estamos aguardando que os municípios mandem a listagem de pessoas que passarão pelo curso", afirma. Para este ano, está previsto que funcionários do Samu em dez Estados, entre eles São Paulo, façam o curso. Desde o início dos treinamentos, em agosto de 2009, 311 pessoas foram capacitadas.

Demora. O convênio entre o Ministério da Saúde e a Polícia Rodoviária para capacitação de motociclistas de resgate foi firmado em maio de 2009, depois da compra das motos, ocorrida a partir de 2007, segundo o Ministério da Saúde. "O Ministério comprou as motos e só depois pensou em fazer o treinamento das pessoas. Infelizmente há motos paradas", diz Castilho.

O Ministério nega atraso na realização dos treinamentos de condutores. Segundo o órgão, houve apenas uma adaptação no formato do curso. Até agora foram distribuídas 400 motolâncias às 27 unidades federativas do País. São Paulo é o Estado que recebeu mais unidades: 111.

AS MOTOS DOS SOCORRISTAS

Modelo

Com 220 cilindradas, as motolâncias são do modelo trail, muito utilizado em terrenos acidentados

Equipamentos

Desfibrilador externo automático, cilindro de oxigênio de alumínio, máscara de oxigênio com reservatório e colar cervical

Material disponível

Luvas de procedimentos estéreis, ataduras, compressas e talas de imobilização, seringas, cateteres e estetoscópio

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