Só 1 obra em 10 'paga' por trânsito que cria

Foram erguidos 133 polos geradores desde 2008, segundo levantamento do 'Estado'

/ MARCELO GODOY e RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h03

Se a WTorre foi obrigada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) a gastar R$ 90 milhões em viadutos, pistas e passarelas, outras grandes construções não têm tido tanta dificuldade para cumprir as exigências da Prefeitura. Desde janeiro de 2008, 133 novos polos geradores de tráfego foram cadastrados na CET, mas apenas 10% tiveram de fazer obras viárias de grande porte. A maioria foi obrigada apenas a implementar sinalização, semáforos, câmeras ou melhorias para pedestres.

O número faz parte de levantamento feito pelo Estado na base das certidões de diretrizes emitidas pela CET nesse período. O documento é obrigatório para se regularizar empreendimentos comerciais com mais de 120 vagas e locais de reunião para mais de 500 pessoas. Entre os prédios residenciais, só os que têm mais de 500 vagas de estacionamento são obrigados a apresentar o documento, que lista todas as obrigações pedidas pela Prefeitura para minimizar o impacto no tráfego da região.

O levantamento mostra que, de 2008 para cá, a cidade ganhou 102,9 mil vagas de estacionamento em grandes polos de tráfego, como shoppings, torres de escritórios, faculdades e igrejas evangélicas - 88,6 mil para carros e 14,3 mil para motos. Apesar disso, apenas 12 dos 133 empreendimentos tiveram de construir algum equipamento viário - como viadutos e ruas locais - ou alargar pistas já existentes.

Outros 20 polos foram obrigados a fazer pequenas adequações geométricas em cruzamentos e canteiros centrais, obras que não aumentam a capacidade das vias. Quando é analisada a exigência de obras voltadas ao transporte público, o número é ainda bem menor: apenas cinco construções tiveram obrigações desse tipo, todas envolvendo apenas a reforma de abrigos e pontos de parada de ônibus.

Todos os outros 96 geradores de tráfego - ou seja, 72% do total - tiveram apenas de fazer adequações na sinalização, calçadas e equipamentos de fiscalização. Um exemplo é o Carrefour da Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi, zona sul, uma das regiões que mais sofrem com o trânsito nos horários de pico. O processo foi aprovado pela CET apenas neste ano, mas, apesar de prever 2.179 vagas de carro e 405 de moto, a companhia não exigiu nenhuma pequena intervenção viária no entorno.

"As exigências estão muito aquém do que é realmente necessário. Algumas cidades já estão discutindo modelos alternativos, como a criação de um fundo para polos geradores de viagens. Nesse modelo, cada empreendimento seria obrigado a repassar uma certa quantia à Prefeitura, que ficaria encarregada de gastá-la em grandes obras voltadas ao transporte público", sugere o vereador Chico Macena (PT), ex-presidente da CET. Ele afirmou que vai apresentar um projeto de lei contendo essas regras.

Investimentos. Questionada, a CET informou que utiliza "fórmulas matemáticas" para verificar a suficiência do número de vagas projetadas para os empreendimentos e assim decidir quais são as exigências necessárias para minimizar os "impactos que a implementação do empreendimento pode causar ao trânsito da região".

Segundo a companhia, o objetivo é melhorar as condições de circulação para "motoristas, pedestres e moradores". O órgão afirmou que a adoção de sinalização e semáforos está entre os principais tipos de melhoria solicitada, mas que também verifica na São Paulo Transporte (SPTrans) se há necessidade de readequação de pontos e abrigos de ônibus.

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