Skinhead é preso por morte de punk

Suspeito nega crime; Johni Raoni Galanciak foi morto a facadas no último sábado, em Pinheiros, durante briga entre os dois grupos

Gio Mendes e William Cardoso, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2011 | 00h00

O skinhead Guilherme Lozano Oliveira, de 20 anos, teve a prisão temporária pedida ontem pela Justiça depois de ser apontado pela Polícia Civil como o responsável pelas facadas que mataram o punk Johni Raoni Falcão Galanciak, no último sábado, na frente do Carioca Club, em Pinheiros, na zona oeste da capital, pouco antes do show da banda britânica Cock Sparrer. Oliveira diz que estava no local, mas negou que tenha matado Galanciak, seu "ex-amigo".

A polícia chegou até o skinhead de orientação neonazista, apelidado Guilherme 13 pelos colegas, após ouvir cerca de 20 pessoas que estavam no local da briga do último sábado. "Ele é um ex-punk que agora integrava um grupo neonazista. Já foi detido em outra oportunidade e consta dos cadastros da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi)", afirmou a delegada responsável pelo inquérito, Margarette Barreto.

No início do ano, ele se envolveu em uma briga com outros jovens em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo.

Oliveira traz na pele as contradições por ser agora um skinhead de orientação neonazista com passado punk. Ele tem tatuagens alusivas aos dois grupos, bem como um fuzil AK-47 desenhado na testa.

"Ele admite que já participou de grupos que cultuam o nazismo", disse a delegada.

Outra contradição está no fato de já ter sido bastante próximo de Galanciak. "Ele fala que foi amigo da vítima, mas que estavam afastados porque um continuava a ser punk e o outro tinha procurado um novo grupo."

Investigação. Segundo a polícia, já foram reunidas 400 páginas no inquérito que apura a morte de Galanciak e as investigações estão apenas no começo. Mais pessoas serão ouvidas e não estão descartadas novas prisões já na próxima semana.

Morador da zona leste e funcionário em uma empresa da própria família, Oliveira vinha sendo vigiado pela polícia nos últimos dias. "Já estávamos monitorando, mas primamos pela legalidade e esperamos que fosse expedida a prisão temporária pela Justiça (antes de apresentá-lo como o responsável pelo crime)", afirmou o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Jorge Carrasco.

Ele foi reconhecido inclusive por outros neonazistas como o autor do crime.

Segundo Carrasco, Oliveira não deverá ser o único preso pela briga que provocou a morte de Galanciak. "Outras pessoas podem estar envolvidas."

Mais do que a prisão do responsável pela morte do punk, a intenção da polícia é desbaratar os grupos e evitar novos confrontos no futuro. Integrantes das facções neonazistas podem ser presos por coautoria no homicídio e formação de quadrilha.

Segundo as investigações da Decradi na última semana, já se sabia que haveria um confronto no show da banda Cock Sparrer (apreciada por ambos os grupos), mas não é possível afirmar que a morte de Galanciak tenha sido premeditada.

A briga gerou críticas também ao papel da Polícia Militar, que teria sido informada sobre os riscos, por ofício, pelos organizadores do evento. A PM diz que contava com efetivo na frente da casa noturna, o que evitou uma tragédia maior. Desde então, tem monitorado possíveis locais de encontro entre as gangues.

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