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Site mapeia peças sacras e furtadas do Rio

Inventário vai catalogar 20 mil peças expostas em igrejas e de coleções particulares e dará alerta em casos de furtos

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2010 | 00h00

Museólogos e historiadores lançaram ontem um portal na internet que tem o objetivo de traçar um perfil da arte sacra do Estado do Rio, com a catalogação de quase 20 mil peças expostas em igrejas e guardadas em coleções particulares. O site terá imagens de obras raras e promete ajudar a recuperar peças furtadas.

O Inventário da Arte Sacra Fluminense (artesacrafluminense.rj.gov.br) será administrado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), vinculado à Secretaria de Cultura. O objetivo é mapear não só as peças tombadas, mas estátuas, candelabros, altares, púlpitos, sinos e outras obras ligadas à religião no Estado. "A arte sacra fluminense foi espalhada pelo País ao longo dos séculos. Como as coleções são esparsas, precisamos trazê-las de volta ao Estado para garantir uma coesão", afirma o museólogo Rafael Azevedo, do Inepac. "Quando se fala em patrimônio histórico, as pessoas pensam muito em Ouro Preto, Salvador e Olinda. Mas o Rio tem várias cidades com uma grande importância", diz Azevedo.

Equipes do Inepac visitaram as igrejas históricas do Estado com a ajuda de religiosos, fotografaram obras de arte e fizeram uma pesquisa minuciosa para completar a documentação.

Também faz parte do portal um Banco de Bens Culturais Procurados, com obras de arte desaparecidas. Quando um furto ou extravio for registrado, a ficha da obra estará disponível no site.

Para o Departamento de Apoio a Projetos de Preservação do Inepac, o inventário e o banco de bens desaparecidos serão úteis principalmente nos municípios do interior, onde os furtos de peças são frequentes e deixam de ser documentados.

O trabalho já permitiu que fossem encontradas duas obras. Em Mangaratiba, no litoral sul do Estado, uma das equipes encontrou uma imagem do século 18 de São João Marcos. Na cidade do Rio, estava uma estátua de São Boaventura da mesma época. As duas peças eram abrigadas em igrejas que foram demolidas.

O banco de dados pode reverter as estatísticas de obras desaparecidas no Brasil. Um levantamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) identificou 1.558 peças tombadas roubadas no País, incluindo centenas de obras sacras.

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