Site ajuda busca por emprego de transexuais

Lançado há seis meses, Transempregos já tem 3 mil pessoas cadastradas e anúncios de 50 empresas diferentes

Marina Azaredo, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2014 | 02h03

Uma das maiores dificuldades de transexuais e travestis é conseguir emprego no mercado formal. De acordo com números da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% dos travestis e transexuais brasileiros se prostituem. Para João Nery, o número é tão alto por falta de opção. "Transexuais ou se prostituem ou ficam restritos à profissão de cabeleireiro e operador de telemarketing, onde ninguém os vê", afirma João Nery.

Para mudar essa realidade, um grupo de transexuais criou o site Transempregos (www.transempregos.com.br), em que empresas podem anunciar vagas que gostariam que fosse preenchidas por profissionais transexuais. "Muitas vezes, quem não quer se prostituir acaba em profissões que nada têm a ver com a sua área", afirma a advogada Márcia Rocha, uma das criadoras do site.

Lançado há seis meses, o Transempregos já tem 3 mil pessoas cadastradas e anúncios de 50 empresas diferentes. As ofertas variam entre as posições de auxiliar administrativo, recepcionista, acompanhante terapêutico, programador web, entre outras. Há vagas de estágio, trabalho temporário ou de período integral. No entanto, como os telefones das empresas ficam disponíveis, os criadores não sabem dizer quantas pessoas já foram contratadas por intermédio do site.

Treinamento. De acordo com a analista de sistemas Daniela Andrade, o próximo passo é oferecer workshops para que as empresas entendam como lidar com transexuais e travestis.

"O banheiro sempre é uma questão. E a entrevista normalmente acaba girando em torno de questões pessoais", explica Daniela, que, apesar de atuar em um mercado que sofre com carência de profissionais, já chegou a ficar oito meses desempregada. / M.A.

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