Sistema viário cresce apenas 1 mil km por ano

Principais rodovias do Estado têm gargalos e aumento do número de acidentes; secretaria diz monitorar demanda

SOROCABA, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2011 | 03h06

Sem espaço para rodar, carros e caminhões congestionam longos trechos de rodovias do Estado. A malha paulista, de 35 mil km de estradas pavimentadas, incluindo as vicinais, não acompanha o crescimento da frota. Em um ano, o sistema viário cresceu menos de mil quilômetros, muito abaixo do necessário para absorver os novos veículos. As principais rodovias do Estado têm problemas como excesso de veículos, mesmo em pontos distantes da capital.

Um dos reflexos é o aumento no número de acidentes, segundo o presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Estado de São Paulo (Sindicam), Norival de Almeida Silva. "As fábricas despejam carros aos montes, mas a estrutura das rodovias não acompanha e surgem conflitos por espaço", reclama. Ele acredita que a situação vai se agravar com a chegada do fim do ano porque o transporte de cargas aumenta para suprir os estoques do comércio. Cresce também o número de carros em circulação por causa das férias.

Algumas estradas têm trechos congestionados como avenidas da capital. A D. Pedro I chega a parar em horário de pico, próximo de Campinas. Do km 146, no cruzamento com a Anhanguera, ao km 126, acesso do distrito de Souzas, a lentidão exaspera os motoristas. Um trecho ganhou uma faixa adicional, mas não foi suficiente. A Anhanguera tem trânsito pesado de Campinas a Sumaré e, em alguns horários, na passagem por Limeira. A Santos Dumont (Campinas-Sorocaba) está sobrecarregada. Veículos transitam sem guardar a distância regulamentar.

Para o presidente do Sindicam, há gargalos em toda a Rodovia Raposo Tavares. "Entre São Paulo e Cotia, parece a continuação da Marginal do Pinheiros. Também está entupida na altura de Sorocaba e no trecho de pista simples entre Araçoiaba da Serra e Itapetininga." Silva aponta outros trechos sobrecarregados na Rodovia Washington Luís, próximo de Rio Claro, Araraquara e São José do Rio Preto, e na federal Dutra, entre São José dos Campos e Caçapava. "O motorista tem dificuldade em toda rodovia perto de São Paulo, mas a Índio Tibiriçá (que liga São Bernardo a Suzano, na Grande São Paulo) virou uma avenida."

BR-116. Entre as estradas de pista simples à espera de duplicação, ele destaca a federal Régis Bittencourt (BR-116) na Serra do Cafezal. "É um tormento para quem transporta cargas", disse. Para ele, o correto seria somente permitir a lacração de novos veículos à medida que são construídas novas pistas. Silva diz que os veículos de carga são mais punidos pelo trânsito ruim. "Sempre que o tráfego fica difícil, a primeira medida é restringir o caminhão."

A Secretaria de Logística e Transportes do Estado informou que monitora a demanda de usuários na malha estadual. A medição é feita pelo volume diário médio de veículos em trânsito e por câmeras que monitoram pontos estratégicos da malha e enviam informações às centrais de operações das concessionárias e do DER. Essas informações permitem identificar a necessidade de intervenção nas rodovias sob jurisdição do DER. Na Raposo Tavares, por exemplo, serão investidos cerca de R$ 81 milhões no trecho de 20,8 km entre a capital e Cotia para melhorar o tráfego. Nos trechos sob concessão, o contrato prevê que, quando ultrapassados os níveis de serviço que medem a fluidez, a concessionária deve ampliar a capacidade de tráfego das vias nas condições do edital. /J.M.T.

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