Sistema para por 3h e afeta voos pelo mundo

Amadeus fornece tecnologia para check-in, reserva de assentos e venda de passagens

NATALY COSTA / SÃO PAULO, JAMIL CHADE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2012 | 03h05

Uma pane no Amadeus - sistema que fornece tecnologia para check-in, reserva de assentos e venda de passagens aéreas - prejudicou ontem milhares de passageiros de 146 empresas pelo mundo, que ficaram sem conseguir embarcar ou tiveram de fazer check-in manualmente. O problema durou pelo menos três horas, entre 14h30 e 17h30. No Brasil, a principal afetada foi a TAM, que usa o sistema de check-in em todos os aeroportos onde opera.

Até as 19 horas de ontem, 153 voos nacionais da empresa, ou 22% do total, estavam atrasados mais de meia hora. Nos voos internacionais, a situação era pior: 34,5% das partidas da TAM para fora do País atrasaram. Voos para Buenos Aires, Santiago, Bogotá e Frankfurt com saída do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, atrasaram quase uma hora cada.

Companhias como a British Airways, AirBerlin, Qantas, Cathay Pacific e Finnair confirmaram que sofreram longos atrasos em seus voos, por terem de fazer o processo de check-in manualmente. Informações contidas nos passaportes de passageiros internacionais precisaram ser anotadas à mão. As empresas admitiram que o caos só não foi maior porque se tratava de uma segunda-feira, sem qualquer feriado por perto. Mesmo assim, em vários aeroportos passageiros tiveram de enfrentar longas e demoradas filas.

Segundo a companhia finlandesa Finnair, pelo menos 50 voos saíram com atrasos de mais de uma hora. "Dos voos que chegam à Ásia amanhã (hoje), metade terá um atraso de cerca de uma hora", afirmou Antti Miettinen, diretor de comunicação da empresa finlandesa.

O Amadeus é o maior entre os quatro sistemas similares usados pela indústria da aviação mundial - no Brasil, a Gol já chegou a usá-lo, hoje não mais. É a ferramenta que a aliança de companhias aéreas OneWorld, por exemplo, utiliza para garantir troca de informações rápida entre as empresas que fazem parte do sistema - como American Airlines, LAN, Iberia, Qantas, Japan Airlines e British, entre outras.

Além de tecnologia de check-in e marcação assentos, reservas de bilhetes e quartos de hotéis também podem ser feitos por esse sistema, usado ainda pela indústria hoteleira e por agências de turismo. Uma delas, a BCD Travel, avisou pelo Twitter que não estava conseguindo emitir passagens.

Falha. Com a base de dados central em Erding, na Alemanha, e escritório administrativo em Madri, na Espanha, a Amadeus não explicou ontem o que causou o problema e lamentou, em nota, o inconveniente causado às empresas e aos passageiros.

Professor de Ciências da Computação da Universidade de Brasília, Jorge Henrique Cabral Fernandes explica que o sistema usado pela Amadeus é centralizado em uma única base de dados justamente para evitar problemas como sobreposição de reservas e venda dupla de bilhetes.

"É um sistema seguro, mas frágil. Como é centralizado, trabalha com ponto único de falha. Ou seja, um problema pontual na Alemanha pode causar desdobramentos no mundo todo."

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