Sistema do bilhete único está normalizado, diz SPTrans

Pane na recarga do bilhete único prejudicou 1,6 milhão de usuários desde o começo da semana

Ricardo Valota, Central de Notícias,

09 de outubro de 2009 | 07h33

Usuários enfrentam fila para recarregar o bilhete único na Barra Funda. Foto: Clayton de Souza/AE

 

O sistema de recarga do bilhete único está normalizado desde o fim da madrugada desta sexta-feira, 9, segundo a SPTrans. A pane no sistema de recarga do bilhete único prejudicou 1,6 milhão de pessoas desde segunda-feira, 5. Somente metade das recargas estava sendo concluída: a média ficou em 400 mil por dia. As redes ligadas a alguns estabelecimentos, como lotéricas e bancas de jornais ficaram mais tempo fora do ar.

 

A intenção da SPtrans era trocar, na madrugada desta sexta, a máquina identificada como causadora da pane. Por esse período, o sistema seria desligado e deveria voltar a operar às 4 horas.

 

Confusão

 

Por causa da demora para recarga, houve confusão. Um funcionário da empresa que opera o abastecimento de créditos nas estações do metrô chegou a ser agredido e dez máquinas foram quebradas por usuários. 

Segundo o diretor de informática da SPTrans, José Carlos Martinelli, a recarga do bilhete único começou a ficar lenta na segunda. Ao longo de quatro dias, a SPTrans teve que tirar o sistema do ar por vários períodos para tentar identificar o que estava gerando o apagão. “Não posso dizer que essa foi a mais grave (pane), mas com segurança foi a que levou mais tempo para descobrirmos a causa”, disse.

Só na quinta os técnicos chegaram à conclusão de que o equipamento que faz a armazenagem das informações de venda de crédito estava operando como se tivesse ultrapassado a capacidade máxima. De acordo com Martinelli, são feitas, em média, 800 mil recargas por dia. Em algumas ocasiões a SPTrans já conseguiu registrar até 1 milhão de recargas. O diretor garante que a capacidade é ainda superior a essa marca, mas não informou a quantidade limite. “Em nenhum momento tivemos uma demanda maior do que já tivemos no passado”, afirmou.

Desde segunda-feira, só metade das recargas está sendo concluída: a média tem ficado em 400 mil por dia. As redes ligadas a alguns estabelecimentos, como lotéricas e bancas de jornais ficaram mais tempo fora do ar, mas Martinelli não soube explicar o motivo. Segundo ele, os postos localizados nas 55 estações de metrô e nos terminais de ônibus conseguiram realizar mais recargas.

Os estudantes tiveram mais dificuldade para carregar o bilhete do que os usuários de cartão normal ou de vale-transporte. A SPTrans informou que ninguém teve seu bilhete bloqueado, a não ser por períodos pequenos enquanto a pane era investigada. “Para nós, todos estão funcionando, mas como o bilhete escolar requer mais troca de informações com a rede, como crédito disponível e data, a recarga pode realmente ter sido mais prejudicada”, disse.

 

Hackers

Os técnicos da SPtrans ainda investigam o que pode ter afetado a máquina de armazenagem de dados, mas não descartam a possibilidade de invasão do sistema por hackers ou vírus. “Essa é uma possibilidade muito remota, mas não é impossível de ter ocorrido”, disse Martinelli. “Posso garantir que o sistema é muito seguro, operado por empresas respeitadas no mundo inteiro”, afirmou.

Nas próximas semanas, a Secretaria de Transportes Metropolitanos deve lançar o edital da licitação que vai passar para a iniciativa privada a operação do bilhete único, com a integração tarifária de ônibus, metrô e trens da CPTM. A previsão é de que no próximo ano esse serviço já esteja terceirizado. Martinelli não relaciona a proximidade da licitação com a pane desta semana.

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