Evandro Oliveira/Prefeitura de Mauá/Divulgação
Evandro Oliveira/Prefeitura de Mauá/Divulgação

Sistema de sensores por infravermelho vai vigiar deslizamentos

Cemaden instalou o equipamento em Mauá e Santos, em SP, para monitorar encostas em áreas de situação precária em todo o País

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

14 Março 2016 | 03h00

SÃO PAULO - O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) está instalando um sofisticado sistema de sensores para monitorar áreas com risco extremo de deslizamentos em nove cidades brasileiras. O programa, batizado de Estação Total Robotizada (ETR), já foi instalado nas cidades paulistas de Mauá e Santos.

De acordo com Angelo Consoni, pesquisador da área de geodinâmica do Cemaden, esses novos sensores geotécnicos emitem um sinal infravermelho para cem prismas – ou sistemas de espelhos – instalados sobre pequenos postes de 1,5 metro de altura nas encostas de morros de cada município.

Segundo Consoni, o sistema consegue detectar pequenos deslocamentos no solo que podem prenunciar um deslizamento. Cada ETR monitora as encostas em 360 graus, cobrindo um raio de 2,5 quilômetros. “O ETR fica instalado em locais estáveis e os prismas em locais sujeitos a movimentação nas encostas. Os prismas refletem o sinal de volta ao ETR, que usa seu sistema de GPS para avaliar com precisão de milímetros se houve algum deslocamento na encosta”, disse ao Estado.

Os sensores conseguem registrar não apenas a dimensão dos deslocamento do solo, mas também a taxa de aceleração. “Com base nesses dois fatores, nós conseguimos definir os limiares de risco. Se a aceleração do deslocamento ou a quantidade total de solo deslocado for superior ao limiar, sabemos que a encosta está na condição de iminência de deslizamento.”

Futuro. Os dados obtidos pelos equipamentos serão enviados via internet ao Cemaden, que poderá monitorar as encostas. De acordo com Consoni, no entanto, ainda será preciso realizar uma série de estudos para que o sistema ajude na emissão de alertas de deslizamento.

“Nesse primeiro estágio, o ETR ainda é um equipamento de pesquisa experimental, porque ainda não temos o histórico de dados. Vamos monitorar cada área por um período para podermos distinguir as alterações naturais no solo das alterações anômalas que implicam risco”, observou Consoni.

Por enquanto, a instalação ocorrerá apenas em áreas de risco extremo. “Temos quase mil municípios monitorados pelo Cemaden. Seria impossível instalar o ETR em todos”, disse ele. Além de Santos e Mauá, o projeto já foi instalado em Blumenau (SC). Também terão o ETR as cidades fluminenses de Petrópolis, Nova Friburgo, Angra dos Reis e Teresópolis, além de Salvador (BA) e Recife (PE).

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