Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

Sistema de alerta de enchentes falha em primeiro teste

Equipamento não previu transbordamento de córrego que deixou duas pessoas mortas em Americanópolis, na zona sul de São Paulo

Felipe Grandin, Tiago Dantas e Marcela Spinosa, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2010 | 00h00

JORNAL DA TARDE

No primeiro teste após ser anunciado oficialmente, o Sistema de Previsão e Alerta de Enchentes do governo do Estado falhou ao não prever o transbordamento do Ribeirão dos Aterrados, em Americanópolis, zona sul da capital, na noite de anteontem. O alagamento, na Rua Delfino Facchina, causou a morte de um casal e deixou seis famílias desabrigadas.

Outras áreas vulneráveis a alagamentos estão fora da cobertura do sistema monitorado pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) desde 13 de outubro. "Hoje não temos todos os córregos sendo monitorados. O sistema não consegue chegar a esse nível de detalhe (de antecipar uma enchente no Ribeirão dos Aterrados, afluente do Córrego dos Zavuvus)", disse o superintendente do Daee, Amauri Pastorello.

Segundo ele, os técnicos do Daee acompanham os níveis de água nas represas, nos piscinões, rios e maiores córregos da Região Metropolitana. O volume de chuva e o nível dos cursos d"água são colhidos por 200 estações no Estado.

No lançamento do sistema, porém, a secretária de Estado de Saneamento e Energia, Dilma Pena, afirmou que "cada piscinão, córrego ou rio tem uma estação instalada em pontos estratégicos". "O córrego que transbordou ontem (anteontem) ainda não é monitorado. Mas pode ser, se julgarmos que é importante", disse Pastorello. Embora não tenha admitido problemas no sistema, o superintendente do Daee afirmou à TV Globo que "a falha não é do equipamento. A falha ainda está no processo de monitoramento". O sistema fornece informações em tempo real às subprefeituras e à Defesa Civil. Caso o computador aponte para uma tendência de alagamento, os órgãos municipais têm tempo de mobilizar seus serviços.

Enquanto isso não acontece, os moradores da Rua Delfino Facchina se viram como podem. Quando começa a chover, eles correm para a janela e avisam os motoristas para não seguir na via. Anteontem, porém, o aviso foi ignorado por Almir Martins de Souza, de 51 anos, e sua mulher, Nádia, de 46, que morreram afogados dentro do próprio carro, arrastado pela água (veja mais abaixo).

Prefeitura. A administração municipal informou ontem que seis famílias que vivem no entorno da Delfino Facchina tiveram de ser removidas porque suas casas foram destruídas pela chuva. Outras 30 receberão a partir do mês que vem um auxílio-aluguel de R$ 300 por dois anos. Essas famílias já estão cadastradas na Secretaria Municipal de Assistência Social e a partir de hoje receberão colchões, roupas e mantimentos.

O subprefeito de Cidade Ademar, José Rubens Domingues Filho, afirmou que as casas dessas 30 famílias estão interditadas há cerca de dois meses e que os moradores serão removidos de lá até o fim da semana. Segundo ele, a remoção é necessária para que sejam realizadas obras para aumentar a vazão do córrego. "Isso evitaria novas enchentes."

Registro

13,6

milímetros foi o volume médio de chuva ontem na capital. A média para outubro é de 124 milímetros

17,4

milímetros foi o que choveu ontem na zona sul

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