Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Sistema dará alerta de enchente 2 horas antes

Estações em 200 pontos do Estado vão captar informações das condições climáticas e do nível de rios, córregos e piscinões e transmitir para central

Luiz Guilherme Gerbelli JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2010 | 00h00

A Defesa Civil Estadual poderá prever com duas horas de antecedência o transbordamento de córregos, rios e piscinões. Isso será possível, segundo o governo do Estado, pelo Sistema de Previsão e Alerta de Enchentes de São Paulo, lançado ontem. Ele combina índices meteorológicos, que destacam as condições do tempo, com hidrológicos, acompanhando, durante a chuva, o nível de rios, córregos e piscinões.

Para chegar a tal precisão, 200 estações espalhadas pelas várias áreas do Estado serão analisadas. Até o fim do ano, serão mais 40 estações. "Cada piscinão, córrego ou rio tem uma estação instalada em pontos estratégicos", disse a secretária de Saneamento e Energia, Dilma Pena. A previsão é de que o sistema já esteja funcionando quando as chuvas de verão começarem.

Os dados coletados serão atualizados a cada dez minutos e enviados para uma central, localizada na Universidade de São Paulo (USP). As informações serão retransmitidas para três bases. Duas delas já estão em funcionamento e ficam na Rua Boa Vista, na capital, e na cidade de Piracicaba, no interior paulista. A terceira será inaugurada até o fim do verão em Taubaté, no Vale do Paraíba. "Com essa antecedência, a Defesa Civil vai conseguir mobilizar-se melhor para proteger a população e adotar as providências necessárias", afirmou Dilma. Nas salas de situação, controlando todos os pontos medidos, estarão técnicos da Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) e agentes da Defesa Civil Estadual.

Grande SP. Inicialmente, a tecnologia está disponível para as Bacias do Rio Tietê, na Região Metropolitana, e do Rio Piracicaba. Ao todo, 197 municípios serão atendidos pelo sistema. "Isso representa 30 milhões de habitantes de São Paulo, o que equivale a 75% da população de todo o Estado", afirmou a secretária. O sistema de prevenção deve custar R$ 2 milhões.

Para idealizar o projeto piloto, o governo contou com a ajuda de professores da Escola Politécnica da USP, que desenvolveram o sistema matemático que permite calcular com antecedência o extravasamento de rios. Eles trabalharam no modelo matemático até setembro, segundo a secretária Dilma Pena.

As chuvas do último verão causaram a morte de 78 pessoas no Estado de São Paulo, de acordo com balanço da Defesa Civil. Somente na capital foram 18 mortos. Além disso, 12 mil pessoas ficaram desabrigadas e outras 20 mil desalojadas, segundo o órgão estadual.

Medidas. Além de apresentar o sistema, o governador Alberto Goldman (PSDB) também anunciou ontem a publicação do edital para a compra de um novo radar meteorológico (mais informações nesta página) e o início da formulação do 3.º Plano Diretor de Macrodrenagem. De acordo com o governador, o plano buscará soluções para diminuir a quantidade de inundações nas sub-bacias que compõem a Bacia do Alto Tietê.

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