Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Com seca, Sistema Cantareira chega a menos de 30% do volume operacional

Após meses de estiagem, rede que abastece Grande São Paulo está com pior volume desde março de 2016

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2021 | 13h06

SÃO PAULO - Após meses de seca, o Sistema Cantareira chegou a 29,8% do volume operacional neste sábado, 2. O número é o menor para o período em mais de cinco anos e configura a reclassificação da operação como de “restrição”.

Há um ano, o volume era de 43%. O atual índice é o menor desde 21 de março de 2016, quando foi de 29,6%, pouco após a grave crise hídrica enfrentada pelo Estado de São Paulo nos dois anos anteriores. Na prática, contudo, a operação de restrição somente impacta no volume máximo de água que pode ser retirado para o abastecimento se registrada no fim do mês. 

A Sabesp descarta racionamento na Grande São Paulo, mas admitiu reduzir mais cedo a pressão nas tubulações para "preservar os sistemas de abastecimento". Em várias regiões da capital, moradores relatam problemas com a falta de água. A companhia diz que reservatórios (caixas d'água) adequados em casa são suficientes para dar conta da demanda noturna.

Com a chegada do período de chuvas em outubro, a expectativa é de que a situação seja atenuada, mas não o suficiente para chegar ao nível de “atenção” (de 40% a 60%). Nas projeções do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o sistema pode alcançar 36% de armazenamento até o fim do ano, o que o colocaria na faixa de “alerta” (de 30% a 40%).

A estimativa do órgão federal é feita com base nos números de agosto e na média histórica de chuvas do último quadrimestre do ano. Ainda de acordo com o Cemaden, as precipitações acumuladas nos meses secos (abril a agosto) deste ano representaram 32% da média histórica (calculada com dados de 1983 a 2020) para o período de abril a setembro. Em agosto, por exemplo, foram 15mm, o que significa 45% da média histórica para o mês (33 mm). 

Responsável pelo abastecimento de cerca de 7,4 milhões de pessoas na Grande São Paulo, o sistema é formado pelos reservatórios Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha, Paiva Castro e Águas Claras. A seca não é exclusiva do Cantareira. No cálculo da média com outros sistemas que abastecem a região metropolitana de São Paulo (Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande, Rio Claro e São Lourenço), o volume operacional médio está em de 37,8%.

Em nota, a Sabesp destacou que a vazão de outubro foi definida com base no volume de 30 de setembro e, portanto, está autorizada a operar na faixa de alerta. Também apontou que está "retirando atualmente 23 m³/s, inferior ao limite máximo de 27 m³/s autorizado, o que é possível graças à integração com os demais sistemas".

"Conforme as regras da outorga, válidas exclusivamente para esse sistema, quando o nível registrado no último dia do mês for inferior a 30%, o limite máximo de retirada do reservatório no mês seguinte passa de 27 m³/s para 23 m³/s. Nesta quinta, último dia de setembro, o Cantareira atingiu 30,4%, não havendo alteração no limite máximo de retirada permitido em outubro", reiterou.

Além disso, a companhia voltou a afirmar que "não há risco de desabastecimento neste momento", mas que há "necessidade do uso consciente da água". "A projeção para a RMSP aponta níveis satisfatórios dos reservatórios com as perspectivas de chuvas do final da primavera e início do verão, quando a situação será reavaliada."

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