Du Amorim/A2 Fotografia
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Sistema Alto Tietê volta a ter seca extrema

Entrada de água nas represas que abastecem cerca de 4,5 milhões de pessoas é a mais baixa da história para junho

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

13 Junho 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Peça-chave no plano antirrodízio da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para este ano, o Sistema Alto Tietê voltou a sofrer com a seca extrema. O volume de água que tem entrado nas represas que abastecem cerca de 4,5 milhões de pessoas na parte leste da região metropolitana é o mais baixo da história para o mês, fato que não ocorria desde fevereiro de 2014, conforme dados da estatal.

Até esta sexta-feira, 12, a vazão de entrada no conjunto de cinco reservatórios situados entre as cidades de Suzano e Salesópolis em junho era de 6,8 mil litros por segundo, 54% abaixo da média histórica. A pior vazão já registrada no manancial em junho foi de 7,3 mil l/s, na seca ocorrida em 2001. Com uma retirada média de 13,5 mil l/s no período, o Alto Tietê já acumula déficit de quase 7 bilhões de litros, o que resultou em 11 dias consecutivos de queda. Nesta sexta, o nível atingiu a marca de 21,1%.

Os números mostram que nem mesmo os 1 mil l/s adicionais que a Sabesp pretende levar do Rio Guaió para o Alto Tietê até o fim deste mês evitariam o saldo negativo, de 6,7 mil l/s até o momento. A obra emergencial, que vai ligar o Guaió por uma adutora de 9 km até um rio que deságua na Represa Taiaçupeba, onde fica a estação de tratamento do Alto Tietê, estava prevista para maio.

Segundo a Sabesp, o atraso aconteceu porque “na execução foram encontrados 140 metros de rocha, que demandaram técnica de engenharia com uso de argila expansiva em vez de retroescavadeira”. Ainda de acordo com a companhia, o adiamento da conclusão para este mês “não comprometerá a segurança hídrica” na Grande São Paulo. O plano da Sabesp é reforçar o estoque de água do Alto Tietê para poder aumentar a produção dos atuais 12,5 mil l/s para a capacidade máxima de 15 mil l/s e poder avançar sobre bairros da capital que ainda são abastecidos pelo Sistema Cantareira, o mais crítico de todos.

Para isso, a Sabesp pretende concluir, até setembro, a transposição de mais 4 mil l/s do Sistema Rio Grande, braço limpo da Represa Billings, para Taiaçupeba. Para a companhia, com esse reforço ao Alto Tietê e o aumento da produção em mais 1 mil l/s no Sistema Guarapiranga, é possível evitar o rodízio de 5 dias sem água e 2 com na região atendida pelo Cantareira. Essa obra havia sido prometida pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para maio.

Zero em outubro. Ex-funcionário da Sabesp e integrante do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, o engenheiro José Roberto Kachel alerta que a situação do segundo maior manancial da Grande São Paulo hoje “é pior que a do Cantareira”. “A vazão afluente ao Alto Tietê tem ficado abaixo da média desde o fim de 2013, mas agora em junho afundou, ficando abaixo da mínima histórica. Se a situação continuar desse jeito, e não tiver nenhum incremento com essas obras, o sistema poderá secar no fim de outubro”, afirma.

Segundo Kachel, a atual conjuntura do Alto Tietê poderá atrapalhar os planos da Sabesp de usá-lo para socorrer o Cantareira. “A transposição do Rio Grande não vai resolver o problema do Alto Tietê, já que o objetivo é aumentar a produção para ajudar o Cantareira. Em vez de 12 mil litros por segundo, vão produzir 15 mil, mas ainda tem um déficit grande para cobrir”, explica.

Dos seis sistemas que abastecem a Grande São Paulo, apenas o Guarapiranga tem caído em velocidade maior que a do Alto Tietê. Mas a represa da zona sul paulistana tem 77,7% da capacidade, ou 133 bilhões de litros, estoque maior que o do manancial ao leste da região metropolitana, que tinha 121 bilhões de litros nesta sexta-feira. Desde o início da crise, em 2014, o Guarapiranga não foi atingido pela estiagem. Além disso, recebe de forma permanente um reforço de 4 mil l/s da Represa Billings. 

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