Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Sinos voltam a repicar nos Jardins

Igreja Nossa Senhora do Brasil colocou seus sete exemplares recém-restaurados em funcionamento no domingo; na zona oeste está a badalada do Dia da Independência

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2011 | 00h00

Sete sinos fizeram parte da rotina de dois restauradores nos últimos quatro meses. Para a alegria dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, nos Jardins, zona sul da capital, eles voltaram a repicar, novinhos em folha, na tarde do último domingo graças ao minucioso trabalho dos jovens Marcelo Angeli e William Ferreira, ambos de 26 anos, especialistas na arte de produzir e recuperar sinos históricos.

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Desde as badaladas restauradoras de domingo, os sete funcionam diariamente - nos últimos 10 anos, ouvia-se apenas um deles. Para se ter uma ideia dos obstáculos para tal recuperação, o maior sino no campanário da igreja pesa 550 kg; o menor, 56 kg. "O sistema estava bem danificado", explica Marcelo Angeli à Expedição Metrópole, que foi conferir o trabalho de perto. "Colocamos motores novos, restauramos os martelos, substituímos o madeiramento", lista o restaurador, feliz com o resultado. "Como cada um tem o som de uma nota musical, a combinação deles proporciona a veiculação de melodias."

A restauração das peças consiste em limpeza, tratamento especial para recuperar o brilho do bronze, reforma e pintura da estrutura que sustenta o conjunto. Por fim, o toque do século 21: a instalação de um sistema eletrônico de acionamento, com programação musical, que pode ser monitorado a distância, via internet. "Não é preciso mais de coroinha para tocar o sino todos os dias. Agora é tudo automatizado", diz William Ferreira. "O padre não precisa mais se preocupar com nada."

Para Angeli, que calcula ter recuperado sinos de 30 igrejas da capital - inclusive o conjunto em funcionamento na Catedral da Sé, no centro -, o campanário da Nossa Senhora do Brasil tem significado especial. "Em 1953, meu bisavô Viscardo José Angeli fabricou esses sinos."

Mais campanários. Apesar do carinho com esse feito, o restaurador destaca como ponto alto da carreira o trabalho que conferiu nova vida ao conjunto de 61 sinos da Sé, no ano passado. Depois de cinco anos em silêncio, o maior carrilhão da América Latina voltou a soar em dezembro. A Expedição Metrópole tentou visitar o campanário da Sé na semana passada. Em vez de sinos, ouviu foi um sonoro "não" do padre Valter Caldeira, o cura da catedral. "Não é qualquer um que pode subir lá", afirmou o religioso, de dedo em riste.

A reportagem partiu então para a Igreja de São Geraldo, em Perdizes, zona oeste. Ali está, sem dúvida, o sino mais importante de São Paulo: o que repicou solenemente em 7 de setembro de 1822 para anunciar a Independência do País. Quem explica, orgulhoso e com sobrenome que remete ao fato, é o padre José Augusto Brasil. "Na época, o sino ficava na Sé", diz.

Em 1913, com a demolição da velha catedral, foi levado para o Mosteiro da Luz, no centro. Depois, em 1942, doado à Igreja de São Geraldo. Pesa 2.250 quilos e tem 1,75 metro de altura por 1,70 metro de diâmetro, fundido em bronze e misturado a 18 quilos de ouro. Nele estão gravados o nome do autor - Francisco Chagas Sampaio, em 1820 -, as armas do Reino de Portugal e trecho do Salmo 150.

Para chegar até ele, são 68 degraus. "Por causa da idade e do peso, atualmente não está operando. Em funcionamento há outro, menor e mais moderno", diz o sacerdote.

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