Síndico de prédio diz que derrubaram a parede de sustentação

Quatro operários que trabalhavam na reforma do Liberdade também confirmaram à polícia a demolição estrutural

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2012 | 03h02

O síndico do Edifício Liberdade, que desabou em janeiro no centro do Rio, matando 22 pessoas, afirmou ontem à polícia que, durante a reforma do 9.º andar, feita pela empresa de informática T.O. Tecnologia Organizacional, foram destruídas paredes de concreto armado responsáveis pela sustentação do prédio.

Segundo a polícia, Paulo Renha, proprietário de salas em vários andares (inclusive no 9.º, alugado à T.O.), afirmou que certa vez planejou fazer uma reforma em banheiros do 17.º andar, mas foi orientado por um engenheiro a desistir da mudança, porque as paredes eram de concreto armado e ajudavam a sustentar o edifício. Segundo o delegado da Polícia Federal Fábio Scliar, que investiga o caso, durante a reforma no 9.º andar, que tinha a mesma estrutura do 17.º, as paredes dos banheiros foram demolidas.

Em depoimento a Scliar, Renha afirmou que o prédio tem uma estrutura até o 8.º andar, trecho em que era colado ao edifício vizinho, e outra configuração do 9.º ao 18.º. Por causa dessa diferença, existente pelo menos desde 1959, paredes que não eram essenciais à estrutura inferior tinham importância fundamental para os pisos de cima. E ao menos uma dessas paredes foi demolida durante a reforma que era feita pela T.O.

"O primeiro piso desse prisma de ventilação, que começa justamente no 9.º andar, foi fechado e colocaram uma laje. Transformaram a área fechada em uma saleta. Essa parede que foi retirada eu já sei que era feita de concreto armado", afirmou o delegado.

Além de Renha, quatro operários que trabalhavam na reforma do 9.º andar e foram ouvidos anteontem também confirmaram a demolição de paredes estruturais naquele piso. Um dos operários chegou a dizer que havia mentido no primeiro depoimento à polícia. Na ocasião, ele dissera que não havia ordem para derrubar paredes estruturais.

O delegado Scliar aguarda a conclusão da perícia para encerrar o inquérito. Por enquanto, porém, ele afirma que não está definido o indiciamento de ninguém. Scliar afirmou que não vê elementos para indiciar o síndico, que ontem afirmou supor que a obra do 9.º andar era feita sob supervisão de um engenheiro.

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